Empresas de ônibus sofrem com a crise

Segundo sindicato, mais três companhias correm risco de fechar. Em pouco mais de um ano, seis já pararam

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Três empresas que operam 40 linhas de ônibus nas zonas Norte e Oeste e no Centro do Rio correm o risco de fechar às vésperas da Olimpíada. São elas a Viação Rubanil, a Transportes Santa Maria e a Transportes Paranapuan, que atendem 350 mil passageiros por dia. As informações são do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sintraturb Rio), que teme a extinção de 4 mil empregos. Seis companhias do setor fecharam as portas desde abril de 2015, alegando motivos como perda de passageiros em meio à crise na economia e a concorrência com vans piratas.

Márcio reclama do serviço prestado nas linhas da Paranapuan%2C na IlhaSandro Vox / Agência O Dia

O vice-presidente do Sintraturb, Sebastião José da Silva, afirma que foi informado pelo Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas, que as três companhias estão em “estado terminal”, com sérios problemas financeiros e, por isso, não conseguem honrar compromissos trabalhistas. Segundo o sindicalista, fecharam mais empresas de ônibus em um ano, no Rio, do que nos últimos 35 anos, quando apenas cinco, diz ele, chegaram ao fim.

As últimas a parar foram a Viação Bangu, Andorinha, Rio Rotas, Top Rio e Algarve – todas da Zona Oeste – e Translitorânea, da Zona Norte. As linhas foram assumidas pelos consórcios dos quais as empresas faziam parte.

“Juntando as seis empresas, mais de 4 mil trabalhadores foram atingidos. Das que fecharam antes da Bangu (a última encerrada, em maio), conseguimos realocar 80% dos profissionais para outras companhias. Já a Viação Bangu tinha 804 funcionários e mais de 300 não foram realocados (cerca de 40%). Isso é desesperador, porque daqui pra frente é alto o risco de a maioria ficar desempregada”, alerta Sebastião José da Silva.

De acordo com o Sintraturb, a Rubanil tem 200 ônibus que ligam Pavuna e Colégio ao Centro. A Paranapuan conta com 130 veículos e faz o trajeto da Ilha a Madureira e ao Centro. Com 125 carros, a Santa Maria atende aos bairros de Jacarepaguá, Barra e Cascadura.

A Paranapuan, no entanto, afirmou que as informações sobre o encerramento das atividades não procedem e que cumpre todas as obrigações trabalhistas. Além disso, ressaltou que continua investindo na qualidade do serviço, tendo aplicado, nos dois últimos anos, R$ 17 milhões. O DIA tentou ouvir representantes da Rubanil e Santa Maria quinta e sexta-feira, mas não obteve resposta a tempo do fechamento desta edição.

Vereador contesta falências

O vereador Jefferson Moura (Rede) contesta existência de crise no setor e disse que vai solicitar à Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) as planilhas de custos e receitas dos consórcios. “Nos dois últimos aumentos, a prefeitura incluiu no reajuste da tarifa a climatização da frota, adiada duas vezes, e as empresas acumularam lucros. Essas linhas sempre foram lotadas. É preciso uma fiscalização rigorosa da SMTR.”

O parlamentar diz que é necessário investigar se os empresários estão transferindo investimentos para o BRT e se desfazendo das linhas que seriam menos rentáveis. “O BRT tem uma estrutura racionalizada, transporta muito mais passageiros com um só motorista. Restaram poucas vans irregulares na cidade, que não concorrem com os trajetos desses ônibus”, acrescenta. 

Redução de passageiros

O Rio Ônibus informou que só se pronuncia sobre fechamento das consorciadas quando a paralisação das atividades já está confirmada e anunciada internamente, em respeito aos funcionários e às companhias, mas reforçou que o setor enfrenta crise e registra queda significativa de passageiros — houve redução de 14% dos usuários em 2015 em relação a 2014 na área do Consórcio Santa Cruz, na Zona Oeste.

Os passageiros reclamam das condições da frota, mas pedem que as linhas sejam mantidas. “Espero que entre uma empresa melhor e que a linha não desapareça”, diz a aposentada Elaine Mendes, 70 anos, usuária da linha 350 (Irajá - Passeio), da Rubanil. “O serviço é precário, mas precisamos das linhas”, relata o bartender Márcio Lang, 41, morador da Ilha do Governador e cliente da Paranapuan.

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