O Paraíso é aqui

Guapimirim abriga os últimos 35 botos da Baía de Guanabara

Por gustavo.ribeiro

Um paraíso pouco conhecido dentro da Baía de Guanabara e preservado pela Área de Proteção Ambiental (APA) acaba de ganhar um reforço no seu potencial turístico. É que a partir do mês que vem vai aumentar o número de barqueiros capacitados para realização dos passeios nos últimos manguezais contínuos do Rio de Janeiro, em Guapimirim, na Baixada Fluminense. Por lá ainda é possível encontrar animais e vegetais em extinção. A região, que é abastecida por seis rios, é conhecida como Pantanal Fluminense.

Botos Cinzas habitam rio Guapi-Mirim Divulgação

A APA Guapi-Mirim foi criada em 1984 e é gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Quem quiser conhecer o espaço precisa se cadastrar na sede do órgão. O passeio de barco dura duas horas. O guia é o próprio barqueiro, que foi capacitado para explicar as características ambientais e turísticas da região. 

Os limites territoriais ficam entre os municípios de Itaboraí, São Gonçalo e Magé e Guapimirim, ocupando uma área de mais de 14 mil hectares. Neste trecho são encontrados cerca de 240 espécies de aves, além de peixes, mamíferos, répteis, crustáceos como caranguejo, siris e camarões. <CW-10>Os últimos botos-cinzas, popularmente conhecidos como golfinhos, também habitam as águas do rio Guapi-Mirim. Eles são atraídos pela vegetação nativa preservada. Estes animais são na verdade um símbolo de resistência ao violento processo de degradação da natureza. Na década de 1980 eles eram mais de mil, hoje são apenas 35 sobreviventes.

“Todo este reduto só existe porquê ainda temos esta área protegida. É aqui que se mantém todo o restante de vida da Baía de Guanabara”, afirma Mauricio Muniz, da APA.

Estudos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), pela UFF e pela Uerj comprovam a regeneração das florestas e manguezais da Apa de Guapimirim: foram recuperados mais de 400 hectares de manguezal. “É um trabalho que vai contra os indicadores do desmatamento, o objetivo é manter as condições físicas do local, há seis anos fazemos o replantio nos manguezais”, explica a analista ambiental Juliana Fukuda.


Os manguezais fazem manutenção do clima, evitam o assoreamento ou entulhamento das margens das lagoas e baías e filtram as águas. “Eles funcionam como estação de tratamento natural e são berçários para as muitas espécies ”, diz Mauricio.

Além disso, a área tem importância econômica. “É daqui que os pescadores e catadores de siri tiram seu sustento e podem se inserir economicamente, mas eles aprenderam também que é preciso fazer uso sustentável”, conta Alaildo Malafaia, diretor da Cooperativa Manguezal Fluminense.



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