Luã Tavares em participação no programa do chef Felipe Bronze - Arquivo pessoal
Luã Tavares em participação no programa do chef Felipe BronzeArquivo pessoal
Por MARCELO BERTOLDO
Se a picanha é a estrela do churrasco brasileiro, o brisket (peito de boi) é o corte mais nobre do american barbecue. Pelas mãos de Luã Tavares possível viajar no sabor da tradicional receita dos Estados Unidos sem precisar de passaporte. Morador de Brasilândia, o gonçalense trocou a faculdade de Engenharia Mecânica pela paixão pela gastronomia, em especial o churrasco à moda americana, em que as carnes de boi, porco e frango passam por um lento processo de defumação que varia entre 12 e 18 horas.
"Faltava um ano para minha formação em Engenharia Mecânica. Larguei o curso, em 2010, e passei a dedicar todo o meu tempo à especialização em churrasco. Estudei, pesquisei, viajei o país em eventos, conheci pessoas da área. Fui crescendo, ficando conhecido e aprimorando cada vez mais as técnicas", destaca Luã.
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Com participações em eventos, workshops, competições e programas de TV, ele é hoje uma referência no american barbecue, ou BBQ. Durante as aulas no Cefet-RJ, surgiram as ideias para a construção da própria churrasqueira, conhecida como ‘pit’. Segundo Luã, ela faz toda a diferença na preparação do churrasco da terra do Tio Sam.
Luã Tavares (à direita) durante competição internacional - Arquivo pessoal
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Aliada à técnica, a paixão pela gastronomia o fez cruzar as fronteiras e representar o Brasil em duas competições internacionais: a Rodeo Houston, nos EUA, e a Meatstock Auckland, na Austrália. A experiência foi enriquecedora e o resultado, melhor ainda.
"Participei do primeiro Campeonato Nacional de Churrasco Defumado, 2017. Nele, surgiu o convite para integrar uma espécie de primeira Seleção Brasileira de Churrasco, que disputou essas competições. Em Houston, fomos bem: 26º lugar no corte de brisket. Foi um ótimo resultado para uma estreia. Na Austrália, ficamos em quarto", conta Luã.
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Carne é preparada em processo lento de defumação que pode levar até 18 horas - Arquivo pessoal
A explosão de sabores ao experimentar o primeiro brisket segue viva no paladar do cozinheiro, que atribui sua projeção no setor, além do talento, ao crescimento do segmento nos últimos anos: do tratamento ao boi em pastos e fazendas aos cuidados em frigoríficos e açougues:
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"Houve uma revolução no mercado, com a criação de postos de trabalho, adaptação de cortes e  desenvolvimento de equipamentos e utensílios".

Atendimento por delivery
A pandemia da covid-19 impactou os negócios de Luã Tavares e deixou muitos consumidores com saudade do inconfundível sabor de seu BBQ. Por ora, eventos privados e públicos, como festivais de Food Trucks,
estão suspensos, assim como os workshops dados pelo instrutor. Com o serviço de delivery, ele tenta minimizar os danos causados pela covid-19. O cardápio é para todos os gostos: American Barbecue, Parrilla Argentina, Churrasco Tradicional, Varal de Aves, Fogo de Chão, Burguers e Sandwichs e Cozinha Rústica.
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"Estava fechando parcerias para eventos. Por conta da pandemia, o que seria realizado no Shopping Campo
Grande foi suspenso. Mas seguimos com as entregas por encomenda. Como o preparo é longo, não tem como fazer por demanda", avalia Luã.
Com saudade do calor da sua ‘pit’, o churrasqueiro não vê a hora de colocar a mão nas carnes e faz planos para a criação de um ponto fixo para receber clientes e ampliar o serviço de delivery no pós-pandemia.