A coordenadora Cláudia Sales faz coletas de material para o teste de Covid-19 e está longe do seu filho desde o início da quarentena - Acervo pessoal
A coordenadora Cláudia Sales faz coletas de material para o teste de Covid-19 e está longe do seu filho desde o início da quarentenaAcervo pessoal
Por Nana Magalhães
Saquarema - No olho do furacão, em meio ao cenário da crise do Novo Coronavírus, chega o Dia das Mães e o cuidado materno é destaque entre os esforços para preservar quem a gente mais ama.

O medo, a saudade e o sofrimento cheio de lágrimas; são sentimentos que fazem parte da rotina das profissionais da linha de frente ao tratamento e combate ao Corona.

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A coordenadora Cláudia Sales faz coletas de material para o teste de Covid-19 e está longe do seu filho desde o início da quarentena Acervo pessoal
A coordenadora Cláudia Sales faz coletas de material para o teste de Covid-19 e está longe do seu filho desde o início da quarentena Acervo pessoal


Inevitavelmente, esse Dia das Mães é marcado pelo avanço da Covid-19 em Saquarema e no Brasil. Os hospitais lotados, não param e recebem cada vez mais casos.

Segundo a Coordenadora do Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), Claudia Sales, sua profissão nunca foi fácil. Mas diante da Covid-19, as coisas ficaram muito mais complicadas. Os profissionais da saúde estão lidando com uma situação nova, inédita, que muda a todo momento: rotinas, protocolos, regimentos, notas técnicas, toda hora uma coisa diferente. A incerteza, o medo e o risco são enormes para quem tem que estar dia a dia lidando com o vírus e a doença.

“É importante estarmos nos atualizando o tempo todo, o que é hoje, amanhã já não é e essa incerteza é perigosa demais. Tenho um filho de 4 anos, nunca havíamos nos separado, todas as noites dormíamos juntos. Sempre estive do lado dele em todas as suas descobertas, todos os joelhos ralados, lembro de cada momento e cada história. Mas não temos certeza de nada mais. Então, decidimos, eu e meu marido, que também está na linha de frente, que nosso filho passaria os dias com meus pais e pegaríamos ele para passar as noites conosco. Só que o que a gente sabe sobre o Coronavírus? Podemos ser vetores, eu, meu marido e meu filho. Poderíamos transmitir o vírus pro meu pai ou minha mãe, que talvez desenvolvessem a forma mais grave da doença. Em março, resolvemos que ele se mudaria para casa dos meus pais. Conversamos com ele, houve uma despedida dolorosa e cheia de lágrimas, os primeiros dias foram muito difíceis. Quando fomos levá-lo, meu filho me disse, mamãe, me desculpa, perdão por ter feito o que eu fiz, não vou fazer mais, não precisa me dar pra minha avó. Ouvir isso dele foi uma das piores coisas do mundo. Passar o que eu tenho passado no hospital, sem sábado, domingo ou feriado, com medo do contágio, não é tão ruim. Ruim é a distância dele, o silêncio ensurdecedor da minha casa, o vazio, sem heróis espalhados pelo chão. Eu não tenho medo de me infectar, meu maior medo é me tornar um vetor e infectar as pessoas que eu mais amo. Nunca imaginei que ficar longe do meu filho fosse fazer bem a ele.”, desabafa, com voz de choro, a Coordenadora do Hospital.
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A cada momento, essa lista ganha novas emoções. A saudade aumenta com a maioria da população há mais de 40 dias em quarentena. Muitas pessoas não poderão festejar o dia com suas mães, mas o mais importante de tudo é o sacrifício feito para salvar vidas e a maior prova de amor que é o cuidado.