Deputados aprovam projeto para prevenir doença transmitida por gatos

Por Flipar

A proposta determina que o Sistema Único de Saúde (SUS) realize planos de ações para a vigilância e o tratamento adequado de humanos e animais. Além da distribuição gratuita de medicamentos para tratamento dos animais infectados e para prevenção e cuidado também com os humanos.
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A criação da política está prevista no Projeto de Lei 792/22, do deputado Juninho do Pneu (União-RJ). Relator, o deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) defendeu a aprovação da matéria na forma de um novo texto.
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Segundo o infectologista Flávio Telles, coordenador do Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), os casos vêm aumentando progressivamente ao longo da última década.
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?Trata-se de uma epidemia em expansão. (...) Isso ocorre porque não há controle da doença entre os felinos. Não há vacinas, o tratamento do gato doente é longo e requer dedicação do tutor.?, ressalta.
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A doença já foi registrada em países como Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile. Em 90%, a transmissão acontece por gatos contaminados, visto que humanos e cachorros não podem transmitir a esporotricose.
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Em 2023, houve um aumento de 40% dos casos registrados na cidade de São Paulo. No Paraná, pulou de 1.242, em 2022, para 2.887 em 2023. Cabe salientar que o estado é um dos poucos que fornece medicação para cães, gatos e seres humanos.
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Especialista da Fiocruz, Dayvison Freitas informou que há uma?hiperendemia?, quando uma doença endêmica passa a crescer de forma acentuada.
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"Desde 1998, o fungo se adaptou de uma forma tão grande ao gato, que o felino passou a transmitir para outros gatos, para o ser humano e cães também?, analisou.
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Freitas explicou que, apesar das poucas chances de ser fatal, o fungo pode se tornar grave. Portanto, o tratamento deve ser iniciado assim que a doença for identificada.
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A transmissão é feita por felinos contaminados através de arranhões, mordidas e secreções, resultando em uma infecção subcutânea. Com isso, a Esporotricose cutânea caracteriza-se por uma ou múltiplas lesões, principalmente nas mãos e braços.
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Esporotricose linfocutânea: é a forma clínica mais frequente; são formados pequenos nódulos na camada da pele mais profunda, seguindo o trajeto do sistema linfático da região corporal afetada. Ocorre principalmente nos membros.
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Segundo o Ministério da Saúde, a doença pode causar lesões na pele, pequenos nódulos na camada de pele mais profunda. Nos casos mais graves, pode afetar órgãos ou sistemas como pulmão, ossos e fígado.
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O tratamento em humanos deve ser realizado após a avaliação clínica, com orientação e acompanhamento médico. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente o itraconazol e o complexo lipídico de anfotericina B para o tratamento da esporotricose humana.
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O diagnóstico de esporotricose é feito com exames laboratoriais em que o fungo encontrado nas lesões é isolado. Em casos mais graves, é realizado por amostras, como escarro, sangue, líquido sinovial e líquor.
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No momento, apenas dez estados incluíram a esporotricose humana em suas listas de notificação compulsória de doenças. Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Paraíba, Rio de Janeiro e Rondônia.
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São Paulo já adota a notificação compulsória para a doença. A Secretaria de Saúde da capital paulista, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), informou que em 2022, até setembro, foram confirmados 388 casos. Em 2023, até o momento, foram diagnosticados 403.
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O infectologista Flávio Telles cita que a notificação compulsória é importante para entender melhor os casos e os tratamentos. Como medida de prevenção, deve haver a castração de animais, limitação de seu acesso à rua, além da orientação de cremar bichos que morrem de esporotricose.
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?É importante ainda implantar medidas educativas e de saúde para esclarecer a existência da doença, explicando que o gato é uma vítima e não o culpado?, frisa.
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