Adeus a Jaguar: relembre a trajetória do cartunista que criou ‘O Pasquim’
Por Flipar
O artista, que tinha 93 anos, estava internado devido a uma infecção respiratória que acabou evoluindo para complicações renais. Ele vinha recebendo cuidados paliativos.
- Reprodução de vídeo G1
Nascido em 29 de fevereiro de 1932, no Rio de Janeiro, Jaguar começou a despontar profissionalmente em 1952. Em seus primeiros passos, ele trabalhava no Banco do Brasil e teve a oportunidade de publicar um desenho na coluna de humor ?Penúltima Hora? no jornal ?Última Hora?.
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Pouco depois, passou a publicar suas charges na revista ?Manchete?, adotando o pseudônimo Jaguar por sugestão do cartunista Borjalo.
Reprodução de vídeo G1
A década seguinte foi crucial para sua afirmação. Jaguar tornou-se um dos cartunistas mais influentes da imprensa brasileira.
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Ele teve seus desenhos publicados em veículos como ?Senhor?, ?Civilização Brasileira?, ?Revista da Semana?, ?Pif-Paf?, ?Última Hora? e ?Tribuna da Imprensa?.
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Em 1968, publicou sua primeira obra em livro, ?Átila, você é bárbaro?, com desenhos e textos combativos, com críticas ao preconceito, à violência e à ignorância.
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Em 1969, junto com Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Millôr Fernandes, Ziraldo e outras personalidades do jornalismo e da cultura, Jaguar fundou ?O Pasquim?.
Reprodução Antiquário Casa do Velho
"O Pasquim" marcou época como jornal satírico que se tornou símbolo de resistência à ditadura militar brasileira.
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Jaguar idealizou o nome do semanário, que significa "jornal difamador" ou "folheto injurioso".
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Além disso, desenhou a icônica mascote do jornal, o ratinho Sig, figura que acompanhou ?O Pasquim? até seu encerramento em 1991
Reprodução de Rede Social
Em 1970, no auge do período autoritário, Jaguar foi preso pelo regime, tendo passado três meses encarcerado.
Reprodução do X @arquivoNacionaldoBrasil
A detenção aconteceu após Jaguar publicar em ?O Pasquim? uma sátira do quadro ?Independência ou Morte?, de Pedro Américo. Na charge, Dom Pedro aparecia dizendo ?Eu quero é mocotó?, frase de uma canção de Jorge Ben Jor que ficou famosa em interpretação de Erlon Chaves no Festival Internacional da Canção do mesmo ano.
Reprodução de vídeo TV Câmara
Após o fim de ?O Pasquim?, em novembro de 1991, Jaguar seguiu atuando na imprensa.
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Ele assumiu cargos como editor no jornal ?A Notícia? e colaborou com crônicas e charges em ?O Dia?, inclusive em sua coluna semanal ?O Boteco do Jaguar?, além de contribuições para a ?Folha de S.Paulo? e outros jornais.
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Em 2001, publicou ?Confesso que bebi?, uma obra bem-humorada que mistura reflexões pessoais e um roteiro gastronômico de bares cariocas, bem a seu estilo irreverente.
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Em 2012, o cartunista foi diagnosticado com cirrose avançada e câncer de fígado.
Reprodução de vídeo TV Câmara
Ainda assim, continuou a brincar com seu passado boêmio. Aos 80 anos, chegou a afirmar em entrevista à ?Folha de S.Paulo?, em tom de humor, ter bebido ?uma piscina olímpica? de cerveja desde 1950.
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A morte de Jaguar gerou comoção entre seus pares. O chargista Angeli o definiu como o ?maior?, dono ?do traço mais rebelde do cartum brasileiro?. ?Seguimos aqui com sua bênção?, afirmou em publicação na rede social X (antigo Twitter).
Reprodução Agência Brasil
A cartunista Laerte o chamou de ?mestre querido?, enquanto outros colegas ressaltaram sua importância pela inspiração e por ser uma figura acolhedora no meio artístico