Saiba o que recordista fez para conseguir ficar quase meia hora sem respirar

Por Flipar

A façanha contou com uma preparação especial: antes da imersão, ele inalou oxigênio puro por 10 minutos, técnica que reduz a concentração de CO? no corpo e adia o reflexo da respiração. Isso permitiu estender a apneia a níveis inéditos.
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Mesmo sem o auxílio do oxigênio, Mari?i? revelou que consegue prender a respiração por pouco mais de 10 minutos, resultado de anos de treino. Considerando que uma pessoa comum mal ultrapassa um minuto, trata-se de um feito realmente sobre-humano.
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A motivação do recorde foi dupla: além de desafiar seus próprios limites físicos e mentais, Mari?i? buscava chamar atenção para a preservação dos oceanos, combinando performance esportiva com uma causa ambiental .
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Para quem não é atleta especializado, segurar a respiração entre 30 e 90 segundos é o mais comum. Mesmo indivíduos treinados raramente ultrapassam 3 minutos.
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Mas, curiosamente, o povo Bajau, do sudeste asiático, consegue permanecer submerso muito mais tempo do que os seres humanos em qualquer outra parte do mundo.
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Enquanto boa parte da humanidade só é capaz de prender a respiração por segundos ou (em alguns casos) poucos minutos, os bajaus podem mergulhar seguidamente por uns 10 minutis, às vezes até 13 minutos.
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Neste caso, um estudo publicado pelo periódico científico Cell em 2018 apontou que uma mutação genética produzida por seleção natural permite a esse povo suportar longo tempo debaixo d'água.
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A adaptação teria ocorrido por alteração no DNA do baço, tornando o órgão maior que o dos outros humanos.
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Os bajaus são nômades que vivem entre os litorais de Filipinas, Malásia e Indonésia.
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As estimativas são de que o povo seja composto por cerca de um milhão de pessoas.
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Eles vivem da pesca e da coleta de peças aquáticas para produzir artesanato. Ou seja, retiram da água sua subsistência.
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O baço é um órgão vizinho ao estômago que contribui para a reciclagem de glóbulos vermelhos. Aumentado, ele fornece mais oxigênio ao sangue.
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Pesquisas feitas anteriormente descobriram que mamíferos marinhos aquáticos tem o baço muito maior em comparação a outras espécies.
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"Em uma segunda visita (aos bajaus), trouxe uma máquina de ultrassom portátil e kits de coleta de cuspe. Fomos a casas diferentes e fizemos imagens dos baços deles", relatou a cientista à National Geographic Brasil.
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No Centro de Geogenética da Universidade de Copenhague , na Dinamarca, o cotejo das amostras apontou que o baço dos bajaus era 50% maior que o dos saluans.
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Na comparação também foi usada amostra de genomas dos chineses han. Todos esses povos viveram sob seleção natural.
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"Se há algo acontecendo no nível genético, deveria ser perceptível no tamanho do baço. E lá observamos essa diferença extremamente significativa?, enfatizou Melissa Llardo.
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Os bajaus vivem nessas áreas do sudeste asiático há mais de mil anos.
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Em entrevista à BBC, Llardo deu ideia de quanto a vida dos bajaus se passa em água: "Quando fazem da maneira tradicional, eles mergulham repetidamente por cerca de oito horas por dia, gastando aproximadamente 60% do seu tempo debaixo d'água. O mergulho pode levar de 30 segundos a vários minutos, mas a profundidades é de mais de 70 metros ".
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A cientista descreveu que o baço aumentado funciona como "um tanque de mergulho biológico" para esse povo.
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Os participantes do estudo sublinharam que a descoberta pode ajudar no futuro a entender mais a fundo a hipóxia - condição em que as células ficam com pouco suprimento de oxigênio.
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