Por Flipar
O mel sabor chocolate aproveita partes do cacau que seriam descartadas, reduzindo desperdícios na cadeia produtiva. O resultado é um alimento inovador que pode ser usado em diferentes indústrias. Além da alimentícia, há potencial para aplicações na cosmética. O processo valoriza resíduos agrícolas e transforma em produto de alto valor.
Os testes foram realizados com mel de cinco espécies brasileiras de abelhas sem ferrão. Entre elas estão borá, jataí, mandaçaia, mandaguari e moça-branca. Todas são fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a polinização. Nos estudos iniciais, o mel da mandaguari apresentou os melhores resultados. Ainda assim, outras espécies também podem ser utilizadas no processo.
Os cientistas agora buscam aumentar a estabilidade e o tempo de conservação deste mel saborizado. O objetivo é ampliar a aplicação industrial e viabilizar a comercialização em larga escala. O estudo foi publicado na revista científica ACS Sustainable Chemistry and Engineering. Os autores procuram parceiros para licenciarem a tecnologia, o que pode acelerar a chegada do produto ao mercado.
E por falar em mel, um projeto inovador da Embrapa Meio Ambiente criou um protocolo para identificar e autenticar o mel produzido por abelhas sem ferrão (nativas do Brasil). O objetivo é certificar a qualidade e a origem do produto nacional com análises sofisticadas que identificam a abelha que produziu o mel e permitir o seu rastreamento.
O reflexo econômico da apicultura vai muito além da produção de mel desses insetos. A produtividade de alimentos como maçã, pera, berinjela, laranja e ameixa são realizadas graças ao trabalho de polinização das abelhas. Elas são responsáveis por 85% da reprodução das plantas com flores.
Nesse sentido, caso haja um desequilíbrio nessa produção, ele afetará as comunidades de plantas e animais que delas dependem. Além da produção de mel, própolis e cera, esses insetos contribuem na manutenção da biodiversidade, do ecossistema, e na produção de alimentos por meio de sua capacidade polinizadora.
?Algumas plantas dependem exclusivamente de animais polinizadores para sua reprodução, outras se beneficiam deles produzindo frutos de melhor qualidade. Estima-se que 35% da produção agrícola global, bem como 85% das espécies de plantas nativas, dependam, em algum grau, da polinização”, disse a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).
?Algumas plantas dependem exclusivamente de animais polinizadores para sua reprodução, outras se beneficiam deles produzindo frutos de melhor qualidade. Estima-se que 35% da produção agrícola global, bem como 85% das espécies de plantas nativas, dependam, em algum grau, da polinização”, disse a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI).
“As abelhas são responsáveis pela polinização de plantas e são amplamente reconhecidas como as mais importantes para essa função em escala global?, explicou Carolina Matos, ecóloga do Centro de Agroecologia e Serviços Ambientais.
A polinização é a transferência de grãos de pólen das anteras de uma planta para o estigma de outra. As abelhas são os principais agentes desse processo, já que o realizam quando se alimentam de recursos florais e espalham o pólen por grandes áreas.
Uma colmeia tem entre 30 e 60 mil indivíduos. Encontrado o lugar ideal, a primeira coisa a fazer é iniciar a construção dos favos para que a rainha possa colocar seus ovos. Os favos são construídos de cima para baixo com um espaço de 6 a 9 milímetros entre eles, para as abelhas se locomoverem.
A temperatura da colmeia é sempre mantida entre 34 e 36 °C, índice necessário para controlar a textura da cera. Se passa disso, algumas operárias batem as asas para ventilar e outras trazem gotículas. Um dos locais no mundo que mais se fabrica mel é em Extremadura, na Espanha.
Cada favo tem alvéolos dos dois lados. Quando a colmeia estiver pronta, terá uma ordenação-padrão: no alto, é guardado o mel, em seguida o pólen, depois as larvas e ovos e, por fim, os zangões.
A abelha Apis mellifera que habita o Brasil, conhecida popularmente como africanizada, é resultado do cruzamento das raças europeias e africana. Apesar de serem muito defensivas, as abelhas africanizadas são ativas o ano todo, altamente produtivas e resistentes às doenças.
A apicultura consiste na criação de abelhas com ferrão com o objetivo de produzir mel, própolis, geleia real, pólen e cera de abelha
Ela representa uma significativa fonte de renda para os agricultores familiares e não exige muito tempo e nem grandes áreas de terra disponíveis. Além disso, é uma atividade de baixo impacto ambiental, que contribui bastante para preservação do ecossistema.
Nos pomares de laranja, maçã, uva e outras frutas cultivadas é comum os agricultores contratarem apicultores para polinizarem as flores, a render grande produtividade, tanto de frutas, como de mel. Este tipo de atividade chama-se apicultura migratória, porque o apicultor descarrega um caminhão de colmeias no centro do pomar durante a floração, e depois retira as colmeias no fim da floração.
A apicultura contribui, de forma eficaz, para minimizar a interferência e a degradação da natureza, corroborando com a produção integrada na agropecuária. Criar abelhas é de suma importância para a agricultura pela efetiva polinização, que, por sua vez, provoca um significativo aumento na produção agrícola.
O favo de mel, portanto, é a estrutura hexagonal de cera de abelha que forma o interior das colmeias. Sua função é armazenar o pólen e o mel das abelhas.
Na prática da apicultura, quando o mel é colhido, o favo de mel é removido da colmeia e a substância pegajosa é extraída das células, deixando a estrutura do favo intacta. Dessa forma, resta apenas a cera alveolada de favo de mel, que consiste em uma folha com células em hexagonal.
Rico em proteínas, o favo de mel pode ser adicionado com sucesso a uma dieta saudável e nutritiva. É importante ter em mente que a cera de favo de mel pode ser consumida a qualquer hora do dia, com pratos doces ou salgados, além de ser anti-inflamatório e auxiliar a digestão.
O própolis é um produto elaborado pelas abelhas a partir de substâncias resinosas coletadas em brotos, flores, folhas e cascas de plantas. A estas substâncias as abelhas adicionam secreções salivares, cera e pólen para a elaboração do produto final.
Comumente utilizado para doenças respiratórias, como gripes, resfriados e dor de garganta, a própolis tem propriedades conhecidas, como anti-inflamatória, antibacteriana, antiviral e antifúngica. Além disso, pode atuar como cicatrizante, anestésico e estimulante do sistema imunológico.