Do Império Bizantino ao mundo contemporâneo: o que são as igrejas ortodoxas

Por Flipar

Após o Grande Cisma de 1054, evento que causou a ruptura da Igreja Católica, separando-a em duas: Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, quando os líderes da Igreja de Constantinopla (Patriarca Miguel I Cerulário) e da Igreja de Roma (Papa Leão Nono), sem chegarem a um acordo, se excomungaram mutuamente.

 

Pentecostes" - Vasco Fernandes - século XVI

Apesar de a ortodoxia se consolidar como uma vertente distinta do catolicismo romano, mantém a crença nos sete concílios ecumênicos, na Trindade e na encarnação de Cristo. A teologia enfatiza a divinização do ser humano, ou seja, o processo de se tornar semelhante a Deus por meio da graça.

 

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Trata-se nada menos do que a segunda maior comunidade cristã. Afinal, reúne aproximadamente 250 milhões de fiéis em todo mundo, especialmente nos país do Leste Europeu.

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Não existe um papa na ortodoxia. Cada igreja nacional é liderada por um patriarca ou arcebispo, e todos são considerados iguais em dignidade. O Patriarca de Constantinopla é visto como “primeiro entre iguais”. Bartolomeu I ocupa a função desde 22 de outubro de 1991.

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Majoritária em países como Grécia, Rússia, Ucrânia, Sérvia, Montenegro, Bulgária, Romênia, Macedônia do Norte, Geórgia, Moldávia e Chipre, a religião ortodoxa exerce forte influência cultural e política, moldando tradições locais em cada uma dessas nações.

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Com a migração, comunidades ortodoxas se espalharam pelo mundo. Hoje, há minorias significativas em países das Américas, Europa Ocidental e Austrália, mantendo viva a tradição fora de seus territórios originais. A saber, Síria, Iraque, Cazaquistão, Alemanha, Espanha, Bósnia e Herzegovina, Líbano, Estados Unidos e Uzbequistão.

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A Igreja Ortodoxa Russa é a maior em número de fiéis, com cerca de 100 milhões de membros. Ela desempenhou papel central na identidade nacional e atravessou períodos de perseguição, especialmente durante o regime soviético, mas ressurgiu com força após sua queda. A Catedral de São Basílio em Moscou é uma das mais conhecidas do mundo.

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Na Romênia, a ortodoxia é predominante e se manifesta em uma rica tradição arquitetônica. Igrejas e mosteiros tingidos com afrescos coloridos são marcas da religiosidade popular e da arte sacra.

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Enquanto isso, a Igreja Ortodoxa da Búlgara tem raízes antigas e foi fundamental na preservação da língua e da cultura durante séculos de dominação estrangeira. Sua liturgia em eslavônico antigo reforça a identidade nacional.

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Na Geórgia, a ortodoxia é parte inseparável da história. A conversão do país no século 4 moldou sua cultura, e até hoje a fé é vista como elemento de resistência e unidade nacional.

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Celebração mais importante das igrejas ortodoxas, a Páscoa é marcada por rituais que simbolizam a vitória da vida sobre a morte. Outras festas, como o Natal e a Epifania, também têm grande significado espiritual e comunitário.

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Embora compartilhem raízes comuns, ortodoxos e católicos divergem em pontos como a autoridade papal e algumas formulações teológicas. Mas ambos mantêm a tradição sacramental e a veneração dos santos, às vezes com trajes e detalhes diferentes, mas com o mesmo sentido. Na foto, São Jorge na Igreja Ortodoxa da Bulgária.

reprodução / Igreja São Jorge em Sofia

As igrejas ortodoxas representam, portanto, uma vertente do cristianismo que une tradição, espiritualidade e identidade cultural. Presentes em diversos países, elas preservam ritos milenares e continuam a inspirar milhões de fiéis em sua busca pelo sagrado.

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