Por Flipar
Em 1988, a Vila Isabel arrasou com “Kizomba, a Festa da Raça” e conquistou seu 1º título no carnaval carioca. O samba que começava com a expressão “Valeu, Zumbi” tinha ao mesmo tempo beleza e popularidade. E impulsionou os foliões na avenida, arrebatando a plateia.
“Liberdade, Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós” foi o enredo da Imperatriz Leopoldinense que levou o título em 1989. O samba de Niltinho Tristeza, Preto Jóia, Vicentinho e Jurandir conquistou o público e tornou-se um marco pela melodia e pela letra.
No mesmo ano, a Beija-Flor ficou em 2º lugar com um desfile antológico, em que colocou fantasias de mendigos na avenida. Joãosinho Trinta surpreendeu com “Ratos e Urubus, larguem minha fantasia”. E a alegoria coberta por causa da censura à imagem de Cristo na Sapucaí entrou para a memória coletiva..
“Quem Nunca Sentiu o Corpo Arrepiar Ao Ver Esse Rio Passar” foi a emoção vivida pela Portela, campeã em 2017 após 33 anos de jejum. O carnavalesco Paulo Barros idealizou um desfile sobre as lendas dos rios, que caiu como luva para a maior campeã do carnaval carioca, que passou a somar 22 títulos.
Em 2002, com um enredo vibrante que enalteceu as belezas e a cultura do Nordeste, a Mangueira não deu chance a ninguém. “Brasil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é a Nação do Nordeste” deu à verde e rosa seu 18º título na história. E que sambão! E que voz do inesquecível Jamelão!
Quem não lembra do refrão da União da Ilha em 1989? “Eu vou tomar um porre de felicidade Vou sacudir, eu vou zoar toda cidade”. O desfile “Festa Profana” rendeu o 3º lugar à simpática escola carioca, uma das mais queridas do grande público. Mas eternizou um dos sambas mais animados e tocados de todos os tempos. Pura explosão!
Em 2020, a Viradouro foi a campeã com o enredo “Viradouro de Alma Lavada”. E a escola de Niterói lavou mesmo a alma, abocanhando o seu segundo título e quebrando um jejum de 23 anos sem vitória.
Em São Paulo, também, muita criatividade e beleza. Em 2014, a Mocidade Alegre conquistou o título de tricampeã com um desfile que abordou a fé, a religiosidade e o sobrenatural. Os foliões mergulharam no sentimento e eram verdadeiros atores na apresentação.
Em 2011, a Vai-Vai conquistou o Anhembi com uma homenagem ao maestro e pianista João Carlos Martins. Apesar de problema de mobilidade numa das mãos, ele enfrentou a dificuldade e é respeitado mundialmente pelo talento e pelo exemplo de superação. A bateria ousou unindo o batuque tradicional ao som de violinos.
O Império de Casa Verde renasceu em 2016, numa apresentação à altura dos desfiles grandiosos de 2005-2006 que haviam lhe garantido o bicampeonato. E abocanhou mais um título exibindo os mistérios da humanidade. Os tigres gigantescos do carro alegórico foram um grande destaque num desfile repleto de beleza e criatividade.
Em 1995, a Gaviões da Fiel cantou “Me dâ mão, me abraça. Viaja comigo pro céu”. E foi mesmo uma viagem e tanto. Primeiro título da escola e a consagração de um samba que até hoje é um dos maiores ícones do carnaval paulista. Showzaço!
“Oxalá salve a princesa! A saga de uma guerreira negra” foi o enredo da Mancha Verde em 2019. A escola retratou a beleza da África, lembrou do tráfico negreiro e exaltou a princesa Aqualtune, avó de Zumbi. Faturou o primeiro título de sua história no Grupo Especial.
A Águia de Ouro arrebatou o público ao lembrar do talento do sambista João Nogueira (1941-2000 – no detalhe) no desfile de 2013. O filho dele, o cantor Diogo Nogueira(foto), foi destaque e se emocionou com a lembrança do pai.
A Águia de Ouro foi campeã em 2020 pela primeira vez, ao mostrar a evolução dos homens desde a Idade da Pedra até a era tecnológica. Um passeio pela história que valeu o campeonato inédito para a azul e branca do bairro da Pompeia.