Melatonina: por que seu uso pode acarretar riscos em longo prazo

Por Flipar

Produzida pela glândula pineal, a melatonina regula o ciclo sono-vigília, funcionando como um ?relógio biológico?. Ela sinaliza ao corpo quando é hora de descansar, reduzindo a temperatura corporal e a pressão arterial. Assim, sua ação vai muito além de induzir o sono, pois influencia diversos processos adaptativos do organismo.

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Em 2021, a Anvisa autorizou a venda da melatonina como suplemento alimentar, sem necessidade de receita médica. Contudo, essa classificação gera controvérsia, já que a substância não corrige uma deficiência nutricional, mas atua como um neuro-hormônio, capaz de alterar funções vitais do corpo.

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A facilidade de acesso fez com que muitas pessoas passassem a usar melatonina sem acompanhamento profissional. Esse consumo indiscriminado preocupa especialistas, pois hormônios não devem ser tratados como simples vitaminas, já que podem causar efeitos colaterais imediatos e complicações futuras.

Segundo o estudo, usuários de melatonina tinham 90% mais chance de desenvolver insuficiência cardíaca em cinco anos. Além disso, o risco de hospitalização pela condição foi 250% maior, mostrando que o impacto pode ser significativo quando o consumo é contínuo.

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Outro dado preocupante foi a probabilidade de morte por qualquer causa, que se mostrou duas vezes mais elevada entre usuários de melatonina em comparação ao grupo controle. Isso reforça a necessidade de cautela e acompanhamento médico rigoroso.

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Mesmo em curto prazo, doses acima do limite seguro podem causar sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e desorientação. Esses sintomas, muitas vezes ignorados, indicam que o organismo está recebendo mais melatonina do que deveria.

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A Anvisa estabelece como limite de segurança 0,21 miligramas por dia. No entanto, muitos consumidores relatam aumentar a dose por conta própria, sem saber que o excesso permanece no organismo após acordar, acumulando efeitos indesejados.

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Para ajustar corretamente a suplementação, seria necessário medir a quantidade de melatonina circulante no sangue ou na urina. Porém, esse acompanhamento quase nunca é feito, o que aumenta os riscos de uso inadequado.

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Poucos quadros justificam a reposição de melatonina. Entre eles estão pessoas cegas sem percepção de luminosidade ou pacientes com distúrbios de ritmo circadiano. Fora dessas situações, o uso tende a ser desnecessário e arriscado.

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Nem todo episódio de insônia requer melatonina. Muitas vezes, o problema está ligado a ansiedade, depressão ou dor crônica, condições que precisam de tratamento específico. Usar o hormônio sem investigar a causa pode mascarar o problema.

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Mudanças simples no estilo de vida podem melhorar a qualidade do sono. Evitar luz intensa à noite, reduzir o uso de telas e manter um ambiente adequado para dormir são medidas eficazes e seguras.

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A prática regular de atividade física estimula a liberação de endorfina, que favorece a produção natural de melatonina. Contudo, é melhor se exercitar pela manhã ou tarde, já que treinos noturnos podem atrapalhar o relaxamento.

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Ansiedade e tensão são inimigos do sono reparador. Desse modo, técnicas de respiração e relaxamento podem ajudar a reduzir esses fatores, promovendo um ambiente interno mais propício ao descanso.

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Ao enfrentar dificuldades recorrentes para dormir, o melhor caminho é procurar um médico do sono. Somente um especialista pode avaliar corretamente o quadro e indicar o tratamento adequado, evitando riscos desnecessários com o uso da melatonina.

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