Por Flipar
O primeiro de três shows programados do grupo na capital paulista reuniu cerca de 70 mil pessoas e teve ingressos esgotados. A apresentação integra a turnê ?Power Up?, nome do álbum mais recente da banda, lançado em 2020.
A apresentação marcou o retorno do grupo ao Brasil pela primeira vez após a morte do guitarrista Malcolm Young, em 2017, vítima de complicações relacionadas à demência e outros problemas de saúde.
O concerto em São Paulo começou com ?If You Want Blood (You?ve Got It)?, faixa do disco Highway to Hell (1979). Ao longo da noite, não faltaram sucessos que ajudaram a consolidar o nome da banda no rock mundial, como ?Highway to Hell?, ?T.N.T.?, ?You Shook Me All Night Long?, ?Shoot to Thrill?, ?Hells Bells?, ?Sin City?, entre outros.
No palco, o guitarrista Angus Young foi o único integrante remanescente da formação original. O quinteto foi completado por Brian Johnson (vocal), Stevie Young (guitarra), sobrinho de Angus, Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria).
Formado em 1973, em Sydney, na Austrália, o AC/DC nasceu da iniciativa dos irmãos escoceses Malcolm e Angus Young, que haviam emigrado com a família para o país ainda na infância.
Inspirado pela energia crua do rock e do blues elétrico, o grupo rapidamente se destacou na cena local com apresentações intensas e uma sonoridade direta.
O nome da banda tem relação com a ideia de energia elétrica. Ele foi inspirado pela inscrição ?AC/DC? vista em uma máquina de costura da irmã dos músicos, refletindo a proposta de eletricidade sonora que se tornaria marca registrada da banda.
A primeira fase do grupo teve como vocalista Dave Evans, mas foi com a entrada de Bon Scott, em 1974, que o AC/DC consolidou sua identidade artística. Carismático e dono de voz rouca inconfundível, Scott ajudou a impulsionar discos como ?High Voltage? e ?Let There Be Rock?, ampliando a projeção do grupo além da Austrália.
O reconhecimento internacional veio no fim da década de 1970, especialmente com o álbum ?Highway to Hell?, lançado em 1979, que levou a banda às paradas de sucesso nos Estados Unidos e na Europa.
A trajetória da banda sofreu um duro golpe em fevereiro de 1980, quando Bon Scott morreu em Londres, aos 33 anos, após uma noite de excessos alcoólicos.
A continuidade do grupo foi colocada em dúvida, mas os irmãos Young decidiram seguir adiante e recrutaram o cantor britânico Brian Johnson para assumir como vocalista.
Ainda em 1980, a nova formação lançou ?Back in Black?, disco que se tornaria um dos mais vendidos da história da música, com estimativas superiores a 50 milhões de cópias comercializadas em todo o mundo. O álbum, uma homenagem a Scott, consolidou definitivamente o AC/DC como uma das maiores forças do hard rock.
Ao longo das décadas de 1980 e 1990, a banda manteve uma produção constante, com álbuns como ?For Those About to Rock We Salute You?, ?The Razors Edge? e ?Ballbreaker?, além de turnês mundiais que reforçaram sua reputação de potência ao vivo.
Nos anos 2000, o grupo voltou a alcançar enorme repercussão com ?Black Ice?, lançado em 2008, que liderou paradas em diversos países e motivou uma das turnês mais lucrativas da época.
Entretanto, a década seguinte foi marcada por desafios internos. Malcolm Young deixou a banda por problemas de saúde que o levariam à morte em 2017.
O baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams também se afastaram temporariamente, o que levou a mudanças na formação. Em 2020, o AC/DC retornou aos estúdios para gravar ?Power Up?, trabalho concebido como tributo a Malcolm Young, utilizando composições que o guitarrista havia desenvolvido antes de se afastar.
Ao longo de sua história, o AC/DC vendeu mais de 200 milhões de discos mundialmente e consolidou-se como um dos nomes mais influentes do rock, mantendo-se relevante graças à energia de suas apresentações e à fidelidade a uma sonoridade que atravessa gerações.