Por Flipar
A data é uma das mais importantes do calendário dominicano e costuma ser celebrada com desfiles cívico-militares, eventos culturais e manifestações patrióticas, sobretudo na capital, Santo Domingo.
O processo de independência esteve ligado à resistência contra o domínio haitiano, que havia começado em 1822. O movimento, conhecido como La Trinitaria, articulou a separação e lançou as bases da nova república.
A história dominicana, no entanto, remonta a um período bem anterior ao século 19. A ilha de Hispaniola foi o local do primeiro assentamento europeu permanente nas Américas, estabelecido por Cristóvão Colombo em 1492.
Santo Domingo, fundada oficialmente em 1496 por Bartolomeu Colombo, é considerada a cidade europeia mais antiga das Américas ainda habitada continuamente.
Seu centro histórico, a chamada Zona Colonial, foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO e abriga construções emblemáticas como a Catedral Primada da América, o Alcázar de Colón e a Fortaleza Ozama, testemunhos de um período em que a ilha era peça central no império espanhol no Novo Mundo.
Ao longo dos séculos, a República Dominicana enfrentou ocupações estrangeiras, conflitos internos e períodos de instabilidade política. Entre 1930 e 1961, o país viveu sob a ditadura de Rafael Trujillo, um dos regimes mais longos e repressivos da América Latina.
A redemocratização foi gradual e, nas últimas décadas, a nação consolidou instituições e experimentou crescimento econômico significativo, impulsionado sobretudo pelo turismo, pelas zonas francas industriais e pelas remessas enviadas por dominicanos que vivem no exterior.
Culturalmente, a República Dominicana é reconhecida como berço do merengue, ritmo que se tornou símbolo nacional e foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A bachata, outro gênero musical de forte identidade popular, também ganhou projeção internacional nas últimas décadas.
A culinária mistura influências indígenas, africanas e europeias, com pratos como o ?mangú?, preparado à base de banana-da-terra amassada, e o ?sancocho?, um ensopado robusto de carnes e tubérculos.
No campo turístico, o país é um dos destinos mais procurados do Caribe. Punta Cana, na região leste, tornou-se sinônimo de praias de águas cristalinas.
Já Puerto Plata, localizado no norte do país, combina belas paisagens com um centro histórico de arquitetura da época vitoriana.
A península de Samaná atrai visitantes pela natureza exuberante e pela observação de baleias-jubarte, que migram para a região entre janeiro e março.
Além das praias, há atrações como o Parque Nacional Los Haitises, com suas formações rochosas e manguezais, o Parque Nacional Cuevas de las Maravillas a e o Pico Duarte, o ponto mais alto do Caribe, que oferece trilhas para os amantes do ecoturismo.
Curiosamente, a República Dominicana compartilha a ilha com o Haiti, mas os dois países desenvolveram identidades culturais, linguísticas e históricas bastante distintas. Enquanto os dominicanos falam espanhol, o Haiti tem como idiomas oficiais o francês e o crioulo haitiano.
Outra curiosidade é que o país abriga o primeiro mosteiro, o primeiro hospital e a primeira universidade das Américas, todos fundados ainda no período colonial em Santo Domingo.
Para os dominicanos, celebrar o 27 de fevereiro é, portanto, relembrar uma trajetória marcada por desafios, resistência e diversidade cultural.
A República Dominicana combina passado colonial, herança afro-caribenha vibrante e belezas naturais que ajudam a explicar por que o país se tornou não apenas um símbolo de identidade nacional para seu povo, mas também um dos destinos turísticos mais importantes do hemisfério ocidental.