Por Flipar
A rainha Nefertiti é apontada como uma das primeiras grandes referências do uso do delineador.
Seu famoso busto, descoberto em 1912, evidencia o uso marcante do pigmento, que influencia padrões de beleza até hoje.
“Suas sobrancelhas são arqueadas, perfeitas e preenchidas com pigmento preto esfumaçado, possivelmente kohl. O contraste é forte, mas a aparência geral da rainha é harmoniosa”, destaca Hankir em seu livro.
Tradicionalmente, o kohl é fabricado a partir de minerais como o antimônio (um semimetal tóxico de cor cinza prateada) e o chumbo, apesar das versões modernas incluírem outros ingredientes.
Em suas viagens, Hankir documentou como o delineador assume papéis distintos pelo mundo a depender da cultura.
Na cultura chola mexicano-americana, o traço preto é uma marca de orgulho cultural e afirmação política.
Em regiões de Petra, na Jordânia, homens beduínos adotam o produto por outros motivos além de proteção contra o sol ou expressar religiosidade: “É também um rito de passagem para a idade adulta e um sinal de que se está solteiro”, afirma a autora.
Para Hankir, o reconhecimento internacional valoriza comunidades do Sul Global que mantiveram viva essa tradição apesar de guerras, deslocamentos e colonialismo.
No Brasil, o delineador é quase um item indispensável da maquiagem feminina, sendo presença constante em tutoriais, redes sociais e no universo das celebridades e da moda.