Por Flipar
A produção recebeu nove indicações ao Oscar, incluindo melhor direção para o próprio Trier, melhor filme e melhor filme internacional. Nestas duas últimas categorias, disputa a estatueta com ?O Agente Secreto?, do brasileiro Kleber Mendonça Filho.
O drama familiar gira em torno de um cineasta (Stellan Skarsgård) que tenta reconstruir a relação com as duas filhas após anos de distanciamento. O filme já vinha acumulando reconhecimento desde sua estreia no Festival de Cannes de 2025, onde recebeu o Grande Prêmio do Júri, um dos mais importantes do evento.
A recepção crítica foi amplamente positiva, consolidando o trabalho como um dos pontos altos do cinema europeu recente e reforçando a fama de Joachim Trier como um dos cineastas europeus mais consistentes de sua geração.
Nascido em 1º de março de 1974 em Copenhague, capital da Dinamarca, Joachim Trier cresceu na Noruega, radicou-se no país e construiu nele a maior parte de sua trajetória artística. Seu avô, Erik Løchen, foi um cineasta e músico norueguês ligado ao cinema experimental, responsável por obras cultuadas no país nas décadas de 1960 e 1970.
Embora Trier tenha crescido cercado por referências culturais, seu primeiro interesse não foi imediatamente o cinema. Na juventude, dedicou-se ao skate e chegou a atuar profissionalmente como skatista, além de produzir vídeos ligados à cultura do esporte.
Depois de trabalhar em vídeos e comerciais, Trier ingressou na National Film and Television School, no Reino Unido, uma das instituições mais prestigiadas da Europa na formação de cineastas.
Seu primeiro longa-metragem, ?Começar de Novo?, lançado em 2006, marcou imediatamente a chegada de uma nova voz ao cinema europeu. O filme acompanha dois jovens amigos que sonham em se tornar escritores e lidam com frustrações, ambições e crises pessoais em meio à vida cultural de Oslo.
A obra foi amplamente elogiada pela crítica e recebeu diversos prêmios em festivais internacionais. ?Começar de Novo? também estabeleceu a parceria criativa entre Trier e o roteirista Eskil Vogt, colaboração que se tornaria fundamental para a identidade artística do diretor.
A consagração crítica veio alguns anos depois com ?Oslo, 31 de Agosto?, lançado em 2011. O filme acompanha um jovem em processo de recuperação do vício em drogas que passa um dia na capital norueguesa reencontrando amigos e confrontando o próprio passado.
A narrativa delicada e introspectiva foi exibida na mostra Un Certain Regard (?Um Certo Olhar?) do Festival de Cannes e consolidou Trier como um diretor capaz de retratar com profundidade as fragilidades emocionais de seus personagens. O longa também reforçou o prestígio do cineasta dentro do circuito de festivais e ampliou sua projeção internacional.
Em 2015, Trier lançou ?Mais Forte que Bombas?, seu primeiro filme em língua inglesa e com elenco internacional. Estrelado por Isabelle Huppert, Gabriel Byrne e Jesse Eisenberg, o drama aborda as tensões de uma família que tenta lidar com a morte da mãe, uma fotógrafa de guerra renomada.
O filme competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes e demonstrou a capacidade do diretor de trabalhar em produções de maior escala sem abandonar o foco em conflitos emocionais e relações familiares.
Dois anos depois, Trier surpreendeu parte do público ao dirigir ?Thelma? (2017), um suspense psicológico com elementos sobrenaturais. A história acompanha uma jovem estudante que descobre possuir poderes inexplicáveis enquanto reprime sentimentos e desejos. O longa foi escolhido como candidato da Noruega ao Oscar de filme internacional naquele ano.
O reconhecimento global de Joachim Trier alcançou um novo patamar com ?A Pior Pessoa do Mundo?, lançado em 2021. O filme acompanha Julie, uma jovem que atravessa dúvidas existenciais sobre carreira, relacionamentos e identidade ao longo de vários anos.
Misturando humor, melancolia e observação social, a obra se tornou um retrato sensível das inquietações de uma geração. Apresentado em competição no Festival de Cannes, o longa rendeu a Renate Reinsve, que também está em “Valor Sentimental”, o prêmio de melhor atriz e conquistou enorme repercussão internacional.
Posteriormente, recebeu duas indicações ao Oscar: melhor roteiro original e melhor filme internacional. A produção também encerrou a chamada ?trilogia de Oslo?, iniciada com ?Começar de Novo? e continuada com ?Oslo, 31 de Agosto?, consolidando Trier como um dos grandes nomes do cinema autoral europeu contemporâneo.
Ao longo da carreira, Joachim Trier desenvolveu um estilo reconhecível, marcado por narrativas fragmentadas, uso expressivo da montagem e diálogos que exploram de forma profunda os dilemas psicológicos de seus personagens. Com “Valor Sentimental”, o cineasta ampliou sua visibilidade no circuito mundial.