Por Flipar
Na Espanha, ele elegeu a paella, um dos pratos mais famosos da culinária espanhola, originário da região de Valência. Trata-se de arroz cozido com açafrão, vegetais e carnes ou frutos do mar, preparado em uma panela rasa e larga chamada paella. Em Portugal, selecionou os borregos, tradicionais cordeiros assados, como o melhor prato do país, apesar de a culinária portuguesa ser associada aos frutos do mar.
Da Coreia do Sul, escolheu o Kimchi, prato tradicional de acelga fermentada por até quatro anos, temperado com pimenta, alho, gengibre e molho de peixe, servido com raia fermentada. Segundo ele, a combinação resulta em uma explosão de sabores ?que não dá para explicar?, e afirmou que nunca esquecerá a experiência de provar esse prato.
Na Itália, cuja culinária é reconhecida mundialmente por clássicos como massas, pizzas e gelatos, e que foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO em dezembro de 2025, Atala escolheu o tradicional macarrão alho e óleo como sua preferida.
No Japão, apontou o sukiyaki como prato favorito. A receita leva fatias finas de carne cozidas em caldo adocicado de shoyu e açúcar, acompanhadas de tofu, legumes e macarrão. Ele o descreve como ?uma comida afetiva e familiar?. Da França, selecionou o escargot, preparado com caracóis terrestres comestíveis, tradicionalmente servidos com manteiga, alho e ervas, embora também possam aparecer em saladas, folhados, com molhos ou flambados.
No México, escolheu o Chiles en Nogada, prato originário da cidade de Puebla. A receita consiste em pimentão verde recheado com carne e frutas, coberto com molho cremoso de nozes e finalizado com romã e salsa. Para Atala, é ?uma das coisas mais incríveis que conheço da cozinha mexicana?.
Na Turquia, apesar dos clássicos quibes e kaftas, ele destacou o homus, prato de origem árabe: uma pasta cremosa feita com grão-de-bico, tahine, azeite, suco de limão e alho. Já no Brasil, ele escolheu o clássico arroz com feijão como o prato preferido.
Alex Atala, cujo nome de batismo é Milad Alexandre Mack Atala, nasceu em 3 de junho de 1968, em São Paulo. Chef de cozinha e restaurateur, ele coleciona mais de um milhão de seguidores no Instagram e é reconhecido por ter introduzido ingredientes amazônicos na alta gastronomia, como jambu, tucupi, priprioca e bacuri.
Aos 18 anos, viajou como mochileiro para a Europa, onde ingressou na Escola de Hotelaria de Namur. Posteriormente, trabalhou em restaurantes na Bélgica, França e Itália, período em que consolidou sua formação técnica e aprendeu inglês, francês e italiano.
De volta ao Brasil, trabalhou no restaurante ?Sushi Pasta? e ganhou projeção ao reformular o cardápio do restaurante Filomena, trabalho que lhe rendeu o título de Melhor Jovem Chef pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Diferenciados. Também trabalhou no restaurante ?72? antes de inaugurar, em 1999, o ?Namesa?, nos Jardins, em São Paulo.
No mesmo ano, fundou o D.O.M., nome derivado da expressão latina Deo Optimo Maximo, com projeto arquitetônico de Ruy Ohtake. Em 1999, foi eleito Chef Revelação pela revista Gula, que também reconheceu o D.O.M. como Melhor Restaurante. Nos anos seguintes, recebeu distinções de publicações como Gula e Veja São Paulo.
A partir de 2006, o D.O.M. passou a integrar o ranking internacional “The World’s 50 Best Restaurants”, alcançando a 4ª posição em 2012 e a 6ª posição em 2013. Em 2015, quando o Guia Michelin passou a avaliar restaurantes no Brasil, o D.O.M. recebeu duas estrelas Michelin, distinção mantida desde então.
Outros empreendimentos dele são o Dalva e Dito, que inaugurou em 2009, restaurante dedicado à releitura de receitas tradicionais brasileiras, com destaque para preparações como pato no tucupi, baião de dois e variações de arroz com feijão. Desde 2015, atua no segmento de catering por meio da empresa 7 Gastronomia, em parceria com a Sapore. O serviço atende grandes eventos como Fórmula 1, Rock in Rio, Lollapalooza e The Town.
Em 2024, expandiu sua atuação para a hotelaria ao criar o Resid Club, empreendimento voltado a um conceito integrado de hospitalidade que inclui hotéis próprios e parceiros, clube de membros e experiências relacionadas à gastronomia, viagens e estilo de vida.
Como pesquisador da culinária brasileira e defensor da difusão do conhecimento, publicou os livros “Mandioca”, “Escoffianas Brasileiras”, “D.O.M. ? Redescobrindo Ingredientes Brasileiros”, “Alex Atala ? Por uma Gastronomia Brasileira” e “Com Unhas, Dentes e Cuca ? Prática Culinária e Papo Cabeça ao Alcance de Todos”.
Ao longo da carreira, acumulou diversos reconhecimentos. Integrou a lista das 100 pessoas mais influentes da revista Times e foi premiado no “The Best Chef Awards”. Também ocupou por anos uma cadeira no conselho do Basque Culinary Center, instituição de ensino e pesquisa em gastronomia localizada em San Sebastián, no País Basco, Espanha, reconhecida como uma das mais inovadoras da Europa.