Por Flipar
Moradores observam a rápida expansão da Titônia nos muros e áreas comuns de prédios. O uso do nome ?margaridão do cerrado? é especialmente danoso, visto que atribui indevidamente a planta ao bioma, induzindo a população a acreditar que se trata de uma espécie nativa ou benéfica.
O problema, como alertam especialistas, muitas vezes começa dentro dos próprios quintais. Entre os impactos mais graves estão o sufocamento da vegetação nativa, a redução da biodiversidade e o prejuízo à fauna que depende das espécies típicas do Cerrado para sobreviver.
A planta é resistente e difícil de erradicar. Desse modo, mesmo após cortes, ela rebrota a partir das raízes, exigindo manejo técnico especializado para conter sua expansão.
O avanço da Titônia ameaça inclusive áreas protegidas, como o Parque Nacional de Brasília. Isso mostra que o problema não se restringe a condomínios, mas alcança ecossistemas inteiros.
Apesar dos riscos, não há proibição automática para cultivo ornamental em áreas privadas. Porém, em unidades de conservação e projetos de recuperação ambiental, o controle é obrigatório.
A Titônia integra a lista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de plantas invasoras. Essa classificação é dada a espécies que conseguem se estabelecer, se dispersar e competir com a vegetação nativa, provocando desequilíbrio ambiental.
Os critérios para inclusão em listas de monitoramento se baseiam no histórico de invasão em outras regiões, facilidade de propagação, resistência a condições adversas e, por fim, impacto sobre a biodiversidade.
A presença da Titônia em áreas urbanas mostra como espécies exóticas podem escapar de forma descomedida do controle humano e, assim, se tornarem problemas ambientais de grande escala, atingindo, ainda, a sociedade.
Além da Titônia, outra espécie invasora citada pela especialista é a Leucaena leucocephala, conhecida como leucena, que também ameaça a vegetação nativa do Cerrado. Cresce rápido, produz muitas sementes e se espalha facilmente. Quando se estabelece, cria sombra intensa e impede o desenvolvimento de plantas nativas.
Além disso, a leucena altera a composição do solo ao fixar nitrogênio em excesso. Isso favorece ainda mais sua própria expansão e dificulta em alto grau a sobrevivência de outras espécies.
Esses exemplos mostram, portanto, como plantas introduzidas como belezas ornamentais podem se tornar invasoras, transformando paisagens e reduzindo perigosamente a diversidade biológica.
Remover a planta por conta própria, mesmo com boas intenções, pode acarretar em problemas legais. O manejo, desse modo, precisa seguir normas ambientais para evitar danos maiores.