Por Flipar
A nova norma endurece as metas para níveis de colesterol LDL, o chamado ?colesterol ruim?, e introduz uma categoria inédita de risco extremo, voltada para pacientes que já sofreram múltiplos eventos cardiovasculares.
Além disso, foram incorporados novos marcadores para avaliação do risco, como o colesterol não-HDL, apolipoproteína B e lipoproteína(a) (Lp(a)).
Para estimar o risco cardiovascular em dez anos, a diretriz de 2025 amplia o uso de cálculos mais detalhados e atualizados. Entre eles, está o escore ?PREVENT?, da American Heart Association, que considera fatores como idade, histórico clínico, função renal e índice de massa corporal, permitindo uma avaliação mais precisa do risco de infarto ou AVC.
Também se destaca que todos os adultos devem, ao menos uma vez na vida, realizar a dosagem de lipoproteína(a), já que ele atua como marcador de risco elevado. Porém, esse exame ainda enfrenta limitações de acesso pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, e cobertura de planos de saúde.
Quanto ao tratamento, a diretriz reforça que, para pacientes em risco elevado, muito elevado ou risco extremo, pode ser necessário o uso combinado de fármacos, como estatinas mais ezetimiba, e, em casos recorrentes, inibidores de PCSK9.
Mas as mudanças no estilo de vida continuam centrais: alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, abandono do tabagismo, moderação no consumo de álcool e controle do peso são enfatizados como pilares da prevenção.
Em resumo, as novas diretrizes da SBC marcam um endurecimento nas metas para controle do colesterol. O objetivo é reduzir infartos, AVCs e mortalidade cardiovascular, reforçando diagnóstico precoce e tratamento adequado.
O colesterol é uma substância gordurosa essencial para o funcionamento do organismo. Presente em todas as células, ele participa da formação das membranas celulares, da produção de hormônios importantes e da síntese da vitamina D. Também é fundamental para a produção da bile, que auxilia na digestão das gorduras.
Apesar de sua importância, o colesterol em excesso pode representar riscos à saúde. Isso acontece porque ele circula pelo sangue transportado por lipoproteínas. As duas principais são o LDL – lipoproteína de baixa densidade -, conhecido popularmente como ?colesterol ruim?, e o HDL – lipoproteína de alta densidade -, chamado de ?colesterol bom?.
O LDL, quando em níveis elevados, pode se acumular nas paredes das artérias, favorecendo a formação de placas que levam à aterosclerose, condição que aumenta as chances de infarto e acidente vascular cerebral, o AVC.
Já o HDL atua de maneira protetora, transportando o excesso de colesterol das artérias de volta ao fígado, onde será eliminado.
Por isso, manter um bom equilíbrio entre essas duas frações é essencial. O problema não está na presença do colesterol em si, mas nos desequilíbrios e nos valores persistentemente altos, principalmente do LDL.
A quantidade de colesterol no organismo é resultado tanto da produção interna – feita principalmente pelo fígado – quanto da ingestão de alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite e derivados.
Dietas ricas em gorduras saturadas e trans, associadas ao sedentarismo, tabagismo e excesso de peso, podem elevar significativamente seus níveis. E a dosagem do colesterol no sangue é um dos exames de rotina mais solicitados em consultas médicas.