Marcelo Rubens Paiva: da tragédia familiar ao sucesso de “Ainda Estou Aqui”

Por Flipar

Marcelo Rubens Paiva cresceu em uma família envolvida com política e intelectualmente influente. Seu pai, Rubens Paiva, foi um deputado federal cassado após o golpe militar de 1964, enquanto sua mãe, Eunice Paiva, se tornou uma importante defensora dos direitos humanos. Entretanto, sua infância foi marcada pelo trauma causado pela repressão política durante a Ditadura Militar.
arquivo pessoal
Em 20 de janeiro de 1971, homens armados que se identificaram como integrantes da Aeronáutica invadiram a casa de Rubens Paiva, no Rio de Janeiro, e o prenderam sem apresentar mandado judicial. O ex-deputado foi levado para instalações militares e depois transferido para o DOI-CODI, órgão de repressão da ditadura militar, onde foi torturado. Ele nunca mais foi visto nem seus restos mortais foram encontrados.
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Sua esposa, Eunice Paiva, e a filha Eliana também foram presas no mesmo dia. Eunice ficou incomunicável por doze dias, enquanto Eliana foi libertada no dia seguinte. Com toda a repercussão, o caso se tornou um dos episódios mais conhecidos da violência praticada pelo regime militar brasileiro.
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Outro trauma na vida de Marcelo aconteceu em 1979, quando ele tinha apenas 20 anos e sofreu um grave acidente, que mudou completamente sua vida. Durante um mergulho em um lago, ele bateu a cabeça em uma pedra, lesionou a medula espinhal e ficou tetraplégico.
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O processo de recuperação física e emocional inspirou o livro autobiográfico ?Feliz Ano Velho?, publicado em 1982. A obra foi um grande sucesso editorial, ganhou adaptações para o teatro e, durante décadas, foi considerado o livro mais famoso e de maior sucesso de Marcelo Rubens Paiva.
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Em 2015, Marcelo lançou ?Ainda Estou Aqui?, obra centrada na trajetória de sua mãe, Eunice Paiva, e no desaparecimento de seu pai durante a ditadura militar. O livro reconstrói a violência sofrida pela família Paiva após a prisão do pai pelos órgãos de repressão do regime militar. Ao mesmo tempo, destaca a força de Eunice, que dedicou décadas à busca por verdade e justiça, enquanto Eunice perde gradualmente a memória por causa do Alzheimer.
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O livro foi muito elogiado pela crítica, venceu o Prêmio Jabuti em 2015 e se tornou uma das principais obras sobre a Ditadura Militar no Brasil. Em 2024, ele ganhou uma adaptação para o cinema intitulada "Ainda Estou Aqui?, dirigida por Walter Salles e estrelada por Fernanda Torres no papel de Eunice Paiva e por Selton Mello como Rubens Paiva. Já a versão mais velha de Eunice foi interpretada por Fernanda Montenegro.
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Assim como no livro, o filme retrata a história da família Paiva, com foco em Eunice Paiva, advogada que se transforma em ativista política após a prisão e o desaparecimento do marido durante a ditadura militar. O longa estreou no Festival de Veneza em 1º de setembro de 2024, onde recebeu dez minutos de aplausos consecutivos do público.
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No Oscar, ?Ainda Estou Aqui? fez história ao vencer o prêmio de Melhor Filme Internacional, a primeira vez que o Brasil conquistou a categoria. Além disso, Fernanda Torres recebeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz e se tornou apenas a segunda brasileira indicada nesta categoria. A primeira foi a sua mãe, Fernanda Montenegro, indicada em 1999 por ?Central do Brasil?.
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