Casa Batlló: obra de Gaudí, edifício reabre ao público em Barcelona com espaço inédito

Por Flipar

?Abrir este andar significa recuperar uma parte essencial da história da Casa Batlló e compartilhá-la com o mundo. É um espaço que se manteve vivo por mais de cem anos e agora inicia um novo capítulo sem perder sua essência", explicou Nina Bernat, CEO da Casa Batlló
Julian Lupyan/Wikimédia Commons
Embora hoje seja vista como uma obra-prima, a Casa Batlló não foi construída do zero por Gaudí. O imóvel original havia sido erguido em 1877 pelo arquiteto Emili Sala Cortés. Em 1903, o empresário têxtil Josep Batlló comprou o edifício e cogitou demolir a estrutura para criar algo totalmente novo. Gaudí, porém, convenceu o industrial a reformar o imóvel existente, transformando a construção em uma das obras mais ousadas da arquitetura europeia do início do século 20.
Sara Terrones/Wikimédia Commons
O prédio integra a chamada ?Illa de la Discòrdia? (?Quadra da Discórdia?), um trecho famoso de Barcelona que reúne edifícios assinados por diferentes arquitetos modernistas catalães. A comparação entre estilos tão distintos em uma mesma avenida ajudou a transformar o local em um dos centros arquitetônicos mais conhecidos da cidade.
Reprodução do flickr Oliver Gentner
Uma das características mais marcantes da Casa Batlló é a ausência quase completa de linhas retas. Gaudí acreditava que a natureza não trabalhava com formas rígidas e, por isso, criou ambientes cheios de curvas, superfícies onduladas e detalhes inspirados em elementos naturais.
Massimo Catarinella/ Wikimédia Commons
A fachada principal é revestida por mosaicos coloridos feitos com fragmentos de vidro e cerâmica, técnica conhecida como ?trencadís?, muito utilizada pelo arquiteto em outras obras. As varandas lembram máscaras ou caveiras, enquanto as colunas evocam ossos humanos, motivo pelo qual o edifício ganhou apelidos como ?Casa dos Ossos?.
Reprodução do flickr Ian Gampon
O telhado é outro dos pontos mais famosos da construção. Muitos estudiosos acreditam que ele representa o dorso de um dragão, referência à lenda de São Jorge, padroeiro da Catalunha. Segundo essa interpretação, a torre com uma cruz simbolizaria a lança do santo atravessando o animal mitológico. Essa mistura entre simbolismo religioso, fantasia e observação da natureza é uma das marcas mais fortes do trabalho de Gaudí.
Sara Terrones/Wikimédia Commons
O interior da Casa Batlló também impressiona pela riqueza de detalhes. Escadarias curvas, vitrais coloridos, claraboias e sistemas de iluminação natural foram projetados para criar sensação de movimento e fluidez. O arquiteto ainda desenvolveu soluções inovadoras de ventilação e aproveitamento de luz, consideradas avançadas para a época. Muitos móveis desenhados especificamente para a residência também se tornaram peças históricas de design.
Reprodução do flickr Ole M. Steffensen
Ao longo das décadas, o edifício passou por diferentes usos e chegou a abrigar empresas e moradores. Desde os anos 1990, a propriedade pertence à família Bernat, responsável por um amplo processo de restauração e abertura ao público. Em 1995, a Casa Batlló passou a funcionar oficialmente como atração cultural e turística.
Divulgação
Em 2005, a Unesco incluiu a Casa Batlló na lista de Patrimônio Mundial como parte do conjunto ?Obras de Antoni Gaudí?, reconhecimento concedido a construções consideradas de valor universal excepcional. A entidade destacou a originalidade arquitetônica, a criatividade estrutural e a influência exercida pelas obras do arquiteto catalão na evolução da arquitetura moderna.
Reprodução do flickr mchen.travels
Atualmente, a Casa Batlló é vista não apenas como um ponto turístico, mas como um símbolo da identidade cultural de Barcelona e da genialidade de Antoni Gaudí. Sua mistura de arte, engenharia, fantasia e inovação continua atraindo arquitetos, historiadores, artistas e turistas do mundo inteiro interessados em conhecer uma das construções mais originais já criadas.
- Reprodução do flickr Rick Schwartz

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