Conheça o mistério por trás da Ilha das Bonecas, destino cercado por lendas no México

Por Flipar

Pouco depois, uma boneca teria surgido flutuando na água. Don Julián acreditou que o brinquedo pertencia à criança e decidiu pendurá-lo em uma árvore como homenagem e forma de respeito. Com o passar dos anos, ele afirmou ouvir vozes, passos e sons estranhos durante a noite. Convencido de que o espírito da menina permanecia na região, passou a recolher bonecas descartadas em lixões, canais e mercados para espalhá-las pela ilha.
Reprodução do Youtube Canal AFP
O hábito se transformou em uma obsessão que durou décadas. Cada nova boneca representava, segundo ele, uma tentativa de afastar maus espíritos ou agradar a alma da criança. Muitas peças chegavam já danificadas, o que contribuiu para o aspecto macabro do cenário.
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Don Julián afirmava ouvir choros, sussurros noturnos e passos misteriosos ao redor de sua residência, sinais claros de que o espírito exigia constante atenção. Para aplacar a ira da suposta assombração, ele passou a vasculhar lixões e a trocar vegetais de sua própria horta por novos exemplares com os vizinhos.
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O homem jamais limpava ou consertava os itens recebidos, de modo que a ação severa do clima e do sol aos poucos foi deteriorando o plástico. Moscas, teias de aranha e fungos escuros cobriram as peças expostas, conferindo um aspecto cadavérico e mutilado a cada uma das bonecas penduradas.
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Embora não exista comprovação da história do afogamento, a narrativa se tornou parte essencial do folclore local. Muitas pessoas questionavam a veracidade do ocorrido sob o argumento de que a lenda poderia derivar de uma ilusão criada pela solidão de Don Julián.
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A fama do lugar cresceu rapidamente e transformou a ilha em um dos destinos mais curiosos do México. Em 2001, um acontecimento reforçou ainda mais os mitos associados ao local: Don Julián morreu afogado em uma área do canal próxima ao ponto onde dizia ter encontrado a criança décadas antes.
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Após sua morte, familiares assumiram a administração da propriedade e mantiveram as bonecas expostas, preservando a principal característica da atração. Atualmente, o acesso acontece por meio das tradicionais trajineras, embarcações coloridas que percorrem os canais de Xochimilco e oferecem passeios turísticos pela região.
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Até hoje, vários visitantes levam as próprias bonecas como oferenda para manter a tradição viva e pedir proteção contra as supostas energias densas que habitam o matagal. Muitos relatam sensação de desconforto ao observar os rostos desgastados das bonecas encarando diferentes direções.
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Outros afirmam ouvir ruídos estranhos ou perceber movimentos provocados pelo vento, interpretações que alimentam histórias paranormais. Apesar da fama de assombrada, a ilha também possui importância cultural e antropológica por representar uma mistura singular de crenças populares, tradição, religiosidade e construção cultural do imaginário coletivo.
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Em 1987, Xochimilco foi reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO por sua importância histórica e cultural. A região preserva os antigos canais e chinampas construídos pelos povos pré-hispânicos, especialmente os astecas, que utilizavam essas ilhas artificiais para a agricultura.
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