Remédio promissor para um dos cânceres mais agressivos faz cientistas se emocionarem em congresso de oncologia

Por Flipar

Considerado o padrão mais rigoroso da pesquisa médica, o ensaio envolveu cerca de 500 pacientes com câncer de pâncreas avançado que já não respondiam adequadamente aos tratamentos convencionais. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre dois grupos: um recebeu o novo medicamento em forma de comprimido diário, enquanto o outro continuou com a quimioterapia utilizada como padrão terapêutico.
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Os resultados mostraram uma diferença expressiva entre os grupos. Entre os pacientes portadores da mutação RAS G12, uma das alterações genéticas mais comuns nesse tipo de tumor, a sobrevida mediana alcançou 13,2 meses com o uso do daraxonrasib, contra 6,6 meses entre aqueles tratados com quimioterapia.
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Além disso, o risco de morte apresentou redução de aproximadamente 60%. O período em que a doença permaneceu sem progressão também aumentou significativamente, passando de 3,5 para 7,3 meses. Outro dado relevante foi a redução mensurável dos tumores em mais de 30% dos pacientes que receberam o medicamento, índice quase três vezes superior ao observado no tratamento convencional.
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Os pesquisadores também destacaram o perfil de segurança da nova terapia. Apenas uma pequena parcela dos participantes (1,2%) precisou interromper o tratamento devido a efeitos adversos, percentual muito inferior ao registrado entre os pacientes submetidos à quimioterapia (11,2%).
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O câncer de pâncreas permanece entre os tipos mais letais de câncer. Em cerca de 80% dos casos, o diagnóstico ocorre apenas quando a doença já se encontra em estágio avançado, reduzindo drasticamente as possibilidades de cura. Para se ter uma ideia, no Brasil, de aproximadamente 13 mil novos diagnosticados por ano, em torno de 12 mil pessoas morrem.
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Um dos principais obstáculos ao tratamento está relacionado às mutações da proteína RAS, presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos. A sobrevida de cinco anos geralmente dada a pacientes com a doença metastática é considerada uma das mais baixas, tornando qualquer ganho significativo um marco importante para a medicina.
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O sucesso do estudo abriu caminho para pedidos de aprovação regulatória junto às autoridades de saúde dos Estados Unidos. O medicamento já recebeu classificações especiais destinadas a terapias consideradas promissoras e inovadoras, o que pode acelerar sua análise pelos órgãos reguladores.
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Apesar do entusiasmo internacional, a chegada do tratamento a outros países ainda dependerá de processos de aprovação locais, avaliações de custo e decisões sobre incorporação aos sistemas de saúde. No Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, por exemplo, a barreira inicial seria financeira, visto que o teto atual de repasse para o tratamento da doença é muito inferior ao custo de mercado estimado para as terapias genéticas modernas.
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