Após décadas de debate, Brasil passa a ter montanhas de forma oficial; veja critérios

Por Flipar

No caso brasileiro, a questão sempre foi influenciada pela própria história geológica do território. Localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das zonas onde ocorrem grandes colisões tectônicas, o país não desenvolveu cadeias montanhosas consideradas jovens como os Andes ou o Himalaia.
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As elevações existentes no Brasil são muito mais antigas e sofreram milhões de anos de erosão, o que resultou em formas mais arredondadas e menos abruptas. Com o objetivo de padronizar a classificação do relevo nacional, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou, em 2019, um amplo trabalho técnico que deu origem ao Sistema Brasileiro de Classificação do Relevo (SBCR).
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Após anos de estudos e debates entre especialistas, o grupo responsável chegou a um consenso sobre as principais características geomorfológicas presentes no território brasileiro. A grande novidade foi o reconhecimento oficial das montanhas como uma categoria própria do relevo nacional.
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O sistema também definiu outras categorias fundamentais. Os planaltos agora correspondem a áreas elevadas moldadas principalmente pela erosão sobre diferentes tipos de rochas. As planícies, por sua vez, são regiões relativamente planas, formadas pelo acúmulo de sedimentos e pela ação de rios, mares, lagos, lagoas e ventos.
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De acordo com os levantamentos do IBGE, as montanhas estão presentes em 14 estados brasileiros. O Rio de Janeiro concentra a maior proporção desse tipo de relevo, enquanto Minas Gerais, Bahia e Ceará possuem as áreas montanhosas mais extensas.
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Até mesmo alguns picos localizados na Amazônia passaram a integrar oficialmente essa categoria. Por outro lado, formações bastante conhecidas, como o Monte Roraima, o Pão de Açúcar e o Pico do Cabugi, no Rio Grande do Norte, ficaram de fora da classificação por não atenderem a todos os requisitos técnicos estabelecidos.
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O mapeamento completo dessas estruturas deve ser concluído pelo IBGE ainda em 2026. A nova metodologia representa um marco para a Geografia brasileira e redefine a forma como o relevo do país será estudado e compreendido nos próximos anos.
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