Entenda por que ninguém pode ser enterrado em Longyearbyen, na Noruega

Por Flipar

A proibição de ser enterrado lá acontece justamente por conta das condições ambientais adversas do local. O primeiro ponto, segundo aponta o Times of India, é o permafrost, ou seja, o solo permanentemente congelado que caracteriza toda a área. Esse solo congelado impede que se façam buracos profundos para os métodos tradicionais de sepultamento.
Wikimedia Commons / Bjorn Christian Torrissen
Mais do que isso, com a temperatura extremamente baixa da cidade, os cadáveres simplesmente não se decompõem com o passar do tempo, e permanecem praticamente intactos por muito tempo. E isso é extremamente problemático para a saúde pública local, já que tudo o que deveria se decompor e desaparecer com o tempo simplesmente permanece ali.
Wikimedia Commons / Bjorn Christian Torrissen
Diante disso, em Longyearbyen, já foi relatado que vírus e bactérias permanecem preservados em condições praticamente intactas, mesmo depois de décadas, justamente por causa das temperaturas adversas que impedem sua degradação natural.
Wikimedia Commons / Bjorn Christian Torrissen
De acordo com a Men's Health, em 1998, um grupo de cientistas exumou cadáveres de pessoas que morreram da Gripe Espanhola em 1918. Eles conseguiram recuperar amostras vivas do vírus mortal, ainda ativas após 80 anos sob o gelo.
Wikimedia Commons / Bjorn Christian Torrissen
Dessa forma, caso uma pessoa morra de uma doença infecciosa na região, o corpo e os patógenos continuariam preservados, sem se decompor e retornar à natureza como aconteceria normalmente em outros climas.
Wikimedia Commons / Bjorn Christian Torrissen
Diante desse risco sanitário, em 1950 o governo da Noruega promulgou a lei que tornou ilegal morrer e ser enterrado dentro dos limites da cidade. Com isso, todas as entradas dos cemitérios existentes foram fechadas, e nenhum novo sepultamento é permitido desde então.
Wikimedia Commons / Buiobuione
Como não há possibilidade de impedir que alguém morra, quem está na fase final da vida é encaminhado para o continente, a mais de 2.000 quilômetros de distância. Da mesma forma, gestantes também são incentivadas a deixar a cidade e se mudar para o continente cerca de um mês antes da data prevista para o parto.
Wikimedia Commons / Chell Hill
Já para quem falece antes de conseguir ser transportado para o continente, a cremação surge como a alternativa adotada pelas autoridades locais. No entanto, esse processo está longe de ser simples ou imediato. Segundo aponta o Times of India, a cremação só pode ocorrer após um longo trâmite de licenciamento estadual.
Wikimedia Commons / MattieKeti
Apesar de todas essas particularidades, Longyearbyen segue sendo a capital administrativa e econômica do arquipélago de Svalbard, localizada na ilha de Spitsbergen. A cidade fica tão ao norte do planeta que, durante o inverno, o sol não aparece por cerca de três ou quatro meses seguidos, período em que os dias e as noites se tornam de completa escuridão.
Wikimedia Commons / R. Henrik Nilsson
Um cenário que, em contrapartida, proporciona um espetáculo à parte: o avistamento das belíssimas auroras boreais. Por fim, a mineração segue como atividade econômica central da região, sustentando, por meio de uma taxa cobrada sobre o carvão exportado, toda a infraestrutura pública do local.
Imagem de Manolo Franco por Pixabay

Veja mais Top Stories