Essa jornada começou em 21 de janeiro de 1976, quando dois jatos Concorde - um da British Airways partindo de Londres com destino ao Bahrein e outro da Air France saindo de Paris rumo ao Rio de Janeiro - decolaram simultaneamente em seus primeiros voos com passageiros.
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Esses voos estabeleceram o inÃcio de uma era em que passageiros poderiam cruzar o Atlântico a uma velocidade que ultrapassava o dobro da velocidade do som.
O Concorde foi o resultado de um ousado projeto conjunto entre França e Reino Unido, formalizado em um tratado intergovernamental assinado em 1962. Ele consolidou um esforço binacional para construir o primeiro avião comercial capaz de atingir velocidade supersônica - ou seja, acima de Mach 1, o limite que define a velocidade do som.Â
O primeiro voo de teste do Concorde ocorreu em 2 de março de 1969, abrindo caminho para anos de ensaios que culminaram com a certificação e autorização para operações comerciais em dezembro de 1975.Â
Em seu serviço inaugural, a Air France voou de Paris a Rio de Janeiro, fazendo uma escala em Dacar, no Senegal, enquanto a British Airways ligou Londres ao Bahrein, reduzindo tempos de viagem que antes levavam mais do que o dobro do tempo.Â
A experiência de voar no Concorde era considerada o auge da aviação de luxo. Com capacidade para cerca de 100 passageiros, a aeronave oferecia um ambiente sofisticado e exclusivo, frequentemente associado a executivos, celebridades e viajantes dispostos a pagar preços substancialmente mais altos por bilhetes que refletiam a exclusividade e a velocidade da viagem.Â
Desde o inÃcio, o Concorde enfrentou limitações importantes. As rotas eram restritas principalmente ao oceano, porque o impacto do estrondo sônico gerado ao ultrapassar a velocidade do som tornava voos sobre áreas continentais densamente povoadas proibitivos ou indesejáveis por reguladores e comunidades.Â
Ao longo de seus anos de serviço, apenas 14 aeronaves comerciais chegaram de fato a voar com passageiros para a British Airways e Air France, um número pequeno frente às expectativas de mercado para um projeto tão grandioso.
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Um dos momentos mais crÃticos na trajetória do Concorde foi o acidente trágico ocorrido em 25 de julho de 2000, quando um avião da Air France caiu logo após a decolagem de Paris rumo a Nova York.Â
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O rompimento de um pneu que estourou e perfurou um tanque de combustÃvel resultou em um incêndio e na perda total de controle da aeronave, matando todas as 109 pessoas a bordo e mais quatro no solo.Â
Após mais de um ano de melhorias, que incluÃram tanques de combustÃvel reforçados com materiais como Kevlar e outros aprimoramentos de segurança, o Concorde voltou a voar comercialmente em 2001.Â
Combinando o envelhecimento de suas aeronaves, o aumento dos custos de manutenção, a escassez de peças de reposição e a continua dificuldade em gerar lucro, tanto a Air France quanto a British Airways anunciaram em 2003 a aposentadoria do Concorde.
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O último voo comercial pela Air France ocorreu em 31 de maio de 2003 e a British Airways operou o último voo histórico em 24 de outubro de 2003, marcando o fim da era supersonica na aviação civil regular.