Aenaria: a cidade romana perdida que ressurgiu sob as águas da Itália

Por Flipar

A cidade ficava na região do Golfo de Nápoles, área ocupada por colonos gregos séculos antes de Cristo. Pithekoussai, geralmente associada à atual ilha de Ischia, foi um dos mais antigos assentamentos gregos no Mediterrâneo ocidental.
Reprodução do Instagram @ilborgodimare
De acordo com relatos do naturalista romano Plínio, o Velho, e do geógrafo e historiador Estrabão, a cidade era mencionada em registros relacionados a acontecimentos militares. Com o passar dos séculos, porém, sua localização se perdeu, e o lugar ganhou ares de lenda até ser redescoberto.
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Até a última década, Aenaria era conhecida principalmente como um antigo nome associado à atual ilha de Ísquia, na Itália. Não havia, porém, confirmação arqueológica de que o termo também estivesse ligado a um assentamento romano na região.
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Antes das descobertas arqueológicas, sabia-se principalmente por fontes antigas que os romanos haviam assumido o controle de Pithecusae, nome grego associado à ilha de Ísquia. A relação entre esse nome e Aenaria, porém, permaneceu durante muito tempo cercada de dúvidas e interpretações históricas.
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Como havia poucos vestígios arqueológicos, durante muito tempo acreditou-se que os romanos não haviam estabelecido uma ocupação significativa na região. O cenário começou a mudar em 2011, quando buscas no litoral de Ísquia, motivadas por achados de cerâmica feitos por mergulhadores em 1972, revelaram vestígios associados à antiga Aenaria.
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Quase 40 anos depois dos primeiros achados, escavações submarinas revelaram as ruínas de um grande cais romano, soterrado por sedimentos vulcânicos. Segundo o jornal italiano La Repubblica, também foram encontrados moedas, ânforas, mosaicos, estruturas de construções e até restos de uma embarcação de madeira.
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Diferentemente de Pompeia, soterrada pela erupção do Vesúvio, Aenaria pode ter sido afetada por intensos terremotos e fenômenos vulcânicos que contribuíram para seu afundamento na Baía de Cartaromana. No entanto, não há documentação histórica conclusiva sobre como a cidade acabou submersa.
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As ruínas também revelaram evidências de estruturas portuárias, reforçando uma hipótese levantada desde as primeiras buscas arqueológicas na região, na década de 1970. Os achados indicam que Aenaria teria funcionado como um importante ponto de comércio e circulação marítima durante o período romano.
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Próximo ao local do naufrágio, pesquisadores encontraram, em 2020, artefatos ligados à navegação e projéteis de chumbo de época romana. Esses achados levantaram a hipótese de que Aenaria, além de sua atividade comercial, também pudesse ter desempenhado alguma função militar no Golfo de Nápoles.,
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Também foram identificadas 142 variantes de cerâmica, provenientes de 12 centros de produção espalhados pelo Mediterrâneo, da Campânia ao Levante. Análises indicaram ainda que parte do chumbo encontrado vinha da Espanha, evidenciando a inserção de Aenaria nas amplas redes comerciais do mundo romano.
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Pesquisas posteriores também revelaram vestígios de um núcleo habitado nas proximidades e reforçaram a importância de Aenaria como centro portuário. Evidências arqueológicas indicam que a região foi afetada por intensa atividade vulcânica entre aproximadamente 130 e 150 d.C., período associado ao declínio do assentamento.
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Durante o verão europeu, novas pesquisas arqueológicas são realizadas no sítio submerso. Aenaria também se tornou atração turística, com passeios em barcos de fundo transparente que permitem observar parte das ruínas, além de visitas realizadas por mergulhadores.
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Antes do passeio, os visitantes podem assistir a uma reconstrução 3D de Aenaria e conhecer materiais relacionados ao sítio arqueológico. A experiência ajuda a imaginar como teria sido o antigo assentamento e transforma esse passado submerso em mais uma atração de Ísquia, despertando a curiosidade dos turistas.
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