Melatonina exige cautela: entenda os riscos do uso sem orientação

Por Flipar

Produzida principalmente pela glândula pineal durante a noite, a melatonina ajuda a regular o ciclo de sono e vigília e a sincronizar o ritmo circadiano. Sua liberação sinaliza ao organismo que o período de repouso se aproxima e está associada à redução da temperatura corporal. Sua atuação também participa da regulação de outros processos fisiológicos ligados ao ciclo dia-noite.
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Em 2021, a Anvisa autorizou o uso da melatonina em suplementos alimentares destinados a adultos com 19 anos ou mais, sem necessidade de receita médica. Embora comercializada como suplemento, a substância é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo. Por isso, seu consumo requer atenção às doses, contraindicações e possíveis interações com medicamentos.
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A facilidade de acesso favoreceu o uso da melatonina sem acompanhamento profissional. Embora seja vendida como suplemento, a substância é um hormônio e não deve ser tratada como uma simples vitamina. O consumo inadequado pode provocar efeitos adversos e interações com medicamentos, enquanto a segurança do uso prolongado ainda é estudada.
Segundo o estudo, o uso prolongado de melatonina foi associado a uma chance cerca de 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca em cinco anos. Os usuários também apresentaram probabilidade aproximadamente 3,5 vezes maior de hospitalização pela condição. Os pesquisadores ressaltam, porém, que os dados são preliminares e não comprovam relação de causa e efeito.
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Outro dado chamou a atenção: a mortalidade por qualquer causa foi de 7,8% entre os usuários de melatonina, contra 4,3% no grupo de comparação. Isso corresponde a uma probabilidade quase duas vezes maior de morte ao longo de cinco anos. Os pesquisadores ressaltam, porém, que a associação não comprova que a melatonina tenha causado essas mortes.
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Mesmo em curto prazo, a melatonina pode provocar efeitos adversos, como sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e náusea. Confusão ou desorientação também podem ocorrer, embora sejam menos frequentes. No Brasil, a Anvisa estabelece 0,21 mg como consumo diário máximo em suplementos alimentares para adultos.
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A Anvisa estabelece o limite máximo de 0,21 mg de melatonina por dia em suplementos destinados a adultos. Doses maiores não são autorizadas nessa categoria no Brasil, e o uso inadequado pode favorecer efeitos adversos, como sonolência, tontura e dor de cabeça. A agência também alerta que os possíveis efeitos do consumo prolongado ainda não estão totalmente esclarecidos.
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A quantidade de melatonina no organismo pode ser avaliada por exames de sangue, saliva ou pela medição de seu principal metabólito na urina. Esses testes, porém, não fazem parte do acompanhamento rotineiro de quem utiliza suplementos. A avaliação do uso deve considerar fatores como horário, dose, sintomas, outros medicamentos e orientação profissional.
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A melatonina tem indicações mais bem estabelecidas em alguns distúrbios do ritmo circadiano, incluindo determinados casos envolvendo pessoas cegas sem percepção de luz. Para a insônia crônica em adultos, as evidências sobre sua eficácia são mais limitadas e variam conforme o perfil do paciente. Por isso, seu uso deve considerar a finalidade, a dose e as características individuais.
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Nem todo episódio de insônia requer o uso de melatonina. Dificuldades persistentes para dormir podem estar associadas a fatores como ansiedade, depressão, dor crônica ou outros distúrbios do sono. Nesses casos, é importante investigar e tratar as condições envolvidas, em vez de recorrer apenas à suplementação.
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Mudanças simples nos hábitos podem contribuir para melhorar a qualidade do sono. Manter horários regulares, reduzir a exposição à luz intensa e às telas antes de dormir e preparar um ambiente escuro, silencioso e confortável são medidas recomendadas. Esses cuidados ajudam a preservar o ciclo natural de sono e vigília.
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A prática regular de atividade física pode contribuir para a qualidade do sono e para a regulação do ritmo circadiano. O horário ideal varia entre as pessoas, e exercícios à noite não necessariamente prejudicam o descanso. Treinos muito intensos realizados próximo da hora de dormir, porém, podem dificultar o sono em alguns indivíduos.
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Ansiedade, preocupação e tensão podem dificultar o início e a manutenção do sono. Técnicas de relaxamento, como respiração abdominal e relaxamento muscular progressivo, ajudam a reduzir a ativação física e mental antes de dormir. Essas estratégias podem integrar o tratamento comportamental da insônia e favorecer um descanso mais tranquilo.
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Quando a dificuldade para dormir se torna frequente ou persistente, é importante buscar avaliação médica para investigar suas possíveis causas. Dependendo do quadro, pode ser necessária a avaliação de um especialista em medicina do sono. O tratamento adequado evita o uso indiscriminado de melatonina ou outros recursos e permite abordar a origem da insônia.
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