Por douglas.nunes

O Banco Santander vai anunciar oficialmente nesta semana a conclusão do projeto de implementação do novo data center da instituição no Brasil. Instalado em Campinas, no interior de São Paulo, em uma área de 80 mil metros quadrados, a nova unidade concentrou um aporte de US$ 12 milhões. Desenvolvido e implantado pela Honeywell Building Solutions(HBS) - área de negócios da americana Honeywell -, o projeto integra um plano de investimentos de R$ 450 milhões, anunciado há pouco mais de três anos pelo Santander, com o objetivo de construir um polo de tecnologia no local.

O data center de Campinas irá atender todas as operações do Santander no Brasil e na América Latina. Ao mesmo tempo, essa instalação estará interligada aos centros de dados do banco na Espanha, criando uma estrutura de redundância entre essas unidades.

Fruto de um trabalho de quase dois anos, o projeto simboliza um marco importante não apenas para o Santander, mas também para todo o mercado da região. "Este é o primeiro data center Tier 4 da América Latina", afirma Paul Orzeske, presidente global da HBS, empresa responsável pela integração de todos os sistemas e tecnologias da unidade.

Concedido exclusivamente pela consultoria americana Uptime Institute, o padrão global Tier certifica a qualidade da infraestrutura de um data center, levando em consideração os índices de disponibilidade, segurança, capacidade e eficiência energética, entre outros fatores. Dentro dessa classificação, o padrão Tier 4 é o mais alto grau de certificação global de centros de dados. No mundo, existem apenas doze data centers desse porte.

"Entre outros requisitos, o Tier 4 garante um grau de disponibilidade anual de 99,995%, o que, na prática, representa menos de 26 minutos de operação indisponível no ano", explica Orzeske.

Para alcançar esses e outros índices, o projeto envolveu um arsenal de tecnologias da HBS, com estruturas de redundância em todos os níveis, além de processos automatizados de transferência de operações em caso de falhas de disponibilidade. O pacote inclui u a integração de mais de vinte mil pontos de controle nos data centers, entre 600 câmeras de infravermelho, sensores de presença, leitores biométricos para controle de acesso, sistemas de proteção contra incêndio, sistemas de gestão do uso de água e energia, controle de temperatura e umidade, e geradores de emergência para minimizar o impacto de eventuais queda de energia nas instalações.

Mais que uma extensa relação de equipamentos e softwares, a iniciativa concentra diversas tecnologias de ponta aplicadas em projetos globais da HBS, e não apenas relacionados ao mercado de data centers. "A instalação tem sensores que conseguem detectar e antecipar, por exemplo, riscos de incêndio", afirma Hildemar Nocentini, gerente-geral da HBS no Brasil.

Outros pontos destacados são os recursos de videomonitoramento e vídeos analíticos. Nessa frente, é possível, por exemplo, programar os equipamentos e sistemas de acordo com as rotinas do local. Um alarme pode ser acionado caso uma câmera detecte qualquer movimento em determinada área do data center, em um horário e dia fora dos padrões da operação. Ao mesmo tempo, o sistema permite reconstruir e analisar toda a rotina daquele mesmo local nos dias que antecederam o incidente em questão.

Segundo Nocentini, o data center está em fase de testes desde agosto de 2013 e já possui plena capacidade para entrar em operação. A ideia é que isso aconteça até o fim de março. "O plano do Santander é migrar gradativamente as operações de outros dois data centers do banco em São Paulo para essa unidade, a partir dessa data", afirma. A HBS acaba de assinar um novo contrato com o Santander para fornecer serviços de suporte para a nova instalação. Procurado pelo Brasil Econômico, o banco não encontrou um executivo disponível para falar sobre o projeto.

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