Por monica.lima

Um nicho de mercado atrai empresas brasileiras para o segmento de ferramentas de busca na web. Com foco extremamente específico, os buscadores verticalizados permitem a compradores industriais encontrar produtos e serviços a partir de especificações técnicas precisas. Mais do que localizar peças e máquinas, esses portais se propõem a identificar fornecedores e a facilitar pedidos de cotação de preços, acelerando o processo de compra no segmento business-to-business.

Em 2011, o Brasil tinha pouco mais de 312 mil empresas industriais, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi esse universo, largamente inexplorado, que despertou o interesse de Andrey Sanches, CEO e fundador da BrasilSpec. No ar desde novembro do ano passado, o site reúne informações de dez mil empresas cadastradas em mais de 450 categorias de produtos e serviços industriais. “O que estamos vendendo é nossa expertise em engenharia e não simplesmente um serviço de busca”, resume Sanches. O potencial desse mercado é grande. Nos Estados Unidos, a aquisição da empresa GlobalSpec — focada em abastecer os mercados de engenharia e manufatura com informações técnicas e científicas — levou a também americana IHS a desembolsar US$ 135 milhões em 2012.

Ao contrário de ferramentas como o Google, nos quais a indexação de sites é feita automaticamente por “robôs” de software, no BrasilSpec e outros concorrentes brasileiros o processo é, em grande parte, manual. Isso porque é frequente a necessidade de padronizar as especificações técnicas de uma máquina ou peça — diferentes fornecedores podem descrever um mesmo produto usando atributos distintos. “É um trabalho especializado. Temos uma equipe de engenheiros para tomar essas decisões de padronização”, explica Sanches, acrescentando que o modelo de negócios do BrasilSpec está calcado na publicação de catálogos técnicos no site — atualmente há cerca de 300 disponíveis. Entre os itens mais procurados estão cabos de aço, bombas e válvulas.

Concorrente do BrasilSpec, o Radar Industrial tem 90 mil itens cadastrados, entre produtos e serviços, num total aproximado de 13 mil fornecedores. O portal funciona como braço digital de uma editora especializada em revistas segmentadas para a indústria. Os fornecedores se cadastram gratuitamente. O faturamento da empresa é resultado da venda de banners e posições de destaque entre os resultados de buscas. “No Brasil há pouquíssimos buscadores focados no mercado industrial”, afirma Fernando Lopes de Almeida, diretor do Radar Industrial.

Apesar de acumular 6,63 milhões de page views em 2013, o site ainda não permite fazer cotações e compras online, nem encomendar produtos customizados. Essas limitações também estão presentes em outros concorrentes brasileiros. “A comercialização não acontece online. Os portais atendem a uma intenção de compra: através deles é possível ter acesso direto aos fornecedores para pedir cotações de produtos”, diz Almeida.

Onipresente na web, a sombra do Google está longe de assustar Sanches, da BrasilSpec. “Atuamos num mercado muito específico. As decisões que envolvem a padronização dos atributos de cada produto são infinitas. Um robô nunca vai conseguir fazer esse tipo de escolha”, sustenta. Para Almeida, os concorrentes mais prováveis seriam sites de comparação de preços, que hoje exploram apenas o universo do business-to-consumer. Neste caso, a maior barreira de entrada seria a falta de conhecimento sobre o B2C. “O Google não traz informação específica”, argumenta. “Mesmo um gigante como o Alibaba, atua só em algumas categorias no setor industrial. E apenas localmente, na China.”

NÚMEROS

US$ 135 mi: Foi o valor desembolsado pela americana IHS na compra do portal de buscas GlobalSpec, voltado para as áreas de engenharia e manufatura.

312 mil: Era o total aproximado de empresas industriais existentes no Brasil em 2011, segundo a Pesquisa Industrial Anual (PIA), do IBGE.

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