Consultores apontam as carreiras que estão em alta no mercado

Setor de tecnologia é a principal tendência, atraindo jovens profissionais, mas há oportunidades em engenharias, turismo e saúde

Por marta.valim

Quando o assunto é carreiras em alta, a tecnologia é unanimidade entre os consultores. Segundo Caio Cunha, da WSI, o mercado tecnológico e digital deve crescer, nos próximos cinco anos, mais do que se expandiu nos últimos 25. A área atrai os jovens da chamada geração Y pela rápida ascensão e retorno financeiro, além da possibilidade de trabalhar de casa. No entanto, nem só de TI vive o mercado. Carreiras mais tradicionais na área de saúde podem oferecer boas possibilidades, já que a demanda por profissionais supera a oferta, assim como as engenharias, que continuam sendo citadas como fontes de oportunidades para novos profissionais. As áreas de recursos humanos e comercial também foram citadas como carreiras que sempre atraem profissionais.

Para a consultora da DMRH Alessandra Zambroni, as carreiras que estarão em alta nos próximos anos têm como característica em comum a interdisciplinariedade e a ligação com os negócios. São profissionais que expandem seus conhecimentos, se especializando em áreas diferentes de sua formação, mas complementares. Os especialistas, aliás, são os mais valorizados. “O mercado não procura tanto o generalista”, afirma a gerente de Recrutamento e Seleção da Trabalhando.com, Carmen Benet. Veja na lista abaixo as carreiras mais promissoras neste e nos próximo anos, segundo os consultores ouvidos pelo Brasil Econômico.

Tecnologia

Alessandra Zambroni, da DMRH, lembra que a tecnologia permeia todas as áreas, seja uma mineradora ou uma empresa online. Os profissionais podem atuar com produtos e soluções, inteligência de mercado, gerente de Tecnologia da Informação (TI) ou mobile, por exemplo. Segundo Carmen Benet, da Trabalhando.com, profissionais com expertise em TI, com base em engenharia da computação, têm sido muito demandados por setores industriais. Para a gerente de Desenvolvimento da Catho, Angélica Nogueira, há “um gap de mão de obra qualificada em tecnologia, que não acompanhou o desenvolvimento do setor de serviços”. Essa carência é resultante da demora natural para surgirem cursos que atendam as novas demandas.

Segundo a gerente, as áreas que devem buscar mais profissionais este ano são desenvolvimento de aplicativos para mobile, administração de sistemas em nuvem e virtualização, design de jogos, user experience, Business Inteligence, Segurança e Gerenciamento de Projetos. Além dessas, também há boas oportunidades para programadores de linguagem PHP e Phyton e para profissionais especializados em big data, com formação, principalmente, em matemática e estatística.

Marketing digital

Com o avanço da internet e das plataformas móveis, as empresas buscam promover suas marcas e ações no mundo digital. Segundo Caio Cunha, presidente da We Simplify the Internet, o profissional de marketing digital atua estruturando melhor o site dos clientes, gerando oportunidades de comércio pela internet, consolidando a marca da empresa nas redes sociais ou tornando a companhia mais visível nas buscas na internet, no chamado mercado de addwords. Geralmente, trabalham nessa área pessoas formadas em marketing, que buscam ampliar seus conhecimentos digitais, ou de TI.

Engenharias

Os consultores afirmam que o mercado para os engenheiros continuará aquecido em função do déficit de profissionais nas últimas décadas e anecessidade crônica de infraestrutura no país. Entre as engenharias, destaca-se a civil. “Imóveis são objetos de desejo de muitas pessoas”, diz Angélica Nogueira da Catho, para quem a demanda por engenheiros civis se manterá nos próximos anos. Alessandra Zambroni, da DMRH, aponta as áreas de petróleo e gás, siderurgia, automação, mecânica e naval como promissoras. Para ela, atualmente, há um novo perfil de engenheiro, com maior envolvimento nos negócios. Já Carmem Benet aposta na atuação dos profissionais de engenharia em atividades ligadas a novas fontes de energia, fora do eixo Rio-São Paulo.

Hotelaria e Turismo

Para Angélica Nogueira, o Brasil fez um bom trabalho na Copa do Mundo e deve continuar atraindo turistas nos próximos anos, independente dos Jogos Olímpicos, movimentando o setor e atraindo profissionais. “Antes da Copa do Mundo começar, havia um receio muito grande de como seria, mas fomos muito felizes nessa experiência. O Brasil conseguiu se projetar e mudar seu status. Nos consolidamos como um destino turístico”, afirma ela, reforçando a importância da língua inglesa para os profissionais do setor.

Sustentabilidade

Segundo a gerente de Desenvolvimento da Catho, a sustentabilidade oferece oportunidades que vão além da ecologia. O crescimento do setor está ligado à sustentabilidade corporativa. “Já existem áreas especificas para o assunto dentro das empresas, para formular processos e ações que integrem a empresa com o cliente, o mercado, o governo e a sociedade. E isso vai continuar crescendo nos próximos anos”. A área atrai profissionais de recursos humanos, comunicação social e marketing, engenharia e direito ambiental.

Saúde

“É muito raro você ouvir um jovem dizer hoje que quer fazer enfermagem”, constata Angélica Nogueira, da Catho. Segundo ela, a baixa remuneração, as condições de trabalho mais desgastantes e até mesmo as dificuldades de formação, como altos investimentos na graduação e pouca oferta de vaga nas universidades públicas, diminui o interesse pela profissão. No entanto, a empregabilidade é um ponto positivo para os profissionais da área. “A escala de novos profissionais que entram no mercado é muito menor que a demanda da população”, diz Nogueira, lembrando a necessidade do governo de atrair médicos de outros países. Segundo ela, também há boas oportunidades para profissionais especializados.

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