Eric Clapton retorna aos palcos  em comemoração aos 70 anos

O músico lança box com faixas que cobrem suas mais de três décadas de carreira e anuncia apresentações em Nova York e Londres

Por monica.lima

O músico tem dois shows%2C marcados para osdias 1 e 2 de maio%2C no Madison Square Garden%2C em Nova York%2C além de sete shows no Royal Albert Hall%2C em LondresLarry Busacca/AFP

Quem vê Sir Eric Patrick Clapton e seu semblante de poucos sorrisos talvez não tenha ideia de como uma pessoa que fala tão pouco tenha dito tanto sobre a música do século 20. Homem de poucas palavras, o músico, que completou 70 anos no dia 30 de março, tem em sua trajetória (integrou bandas clássicas, como Yardbirds, Cream e Blind Faith — tido como o primeiro supergrupo do rock —, além de uma produtiva carreira solo) seu maior trunfo, construído com o toque suave em sua Fender Stratocaster. Para celebrar seu aniversário, além de um box chamado “Forever Man”, com 51 faixas que fazem uma varredura em suas mais de três décadas de carreira, Clapton resolveu adiar um pouco os planos de se aposentar dos palcos, e anunciou dois shows, marcados para os dias 1 e 2 de maio, no Madison Square Garden, em Nova York, além de sete shows no mítico Royal Albert Hall, em Londres.

Nascido na cidade inglesa de Ripley e criado pelos avós, Eric Clapton ganhou seu primeiro violão aos treze anos, presente de sua avó Rose. Em 1963, passou a integrar a banda Yardbirds, que começava a fazer sucesso nos primórdios da Swinging London. Como o grupo passou a assumir uma postura mais pop, Clapton saiu da banda em 1965 e, tempos depois, passou a integrar o John Mayall & the Bluesbreakers, em que estabeleceu seu nome como músico. Não era incomum ver a frase “Clapton is God” pixada nos muros londrinos.

Largou o Bluesbreakers em 1966 e formou o Cream com os amigos Jack Bruce e Ginger Baker. O power trio, que é até hoje considerado um dos maiores grupos do rock, teve vida curta, por conta de brigas internas. Nesse meio período, Clapton ficou próximo dos Beatles, principalmente de George Harrison.

Com o fim do Cream, ainda integrou o Blind Faith, após lançar-se em carreira solo. E, depois de um disco em 1970, assumiu o codinome de uma banda — Derek and the Dominos —, com a intenção de contrastar com o culto de “estrelismo” que crescera a sua volta, e gravou o que muitos consideram a sua obra-prima: o álbum “Layla and Other Assorted Love Songs”, inspirado basicamente em seu relacionamento com Patti Harrison, mulher de seu amigo George. Pablo Tavares
pablo.tavares@brasileconomico.com.br

Clapton afundou-se no vício em heroína e álcool na da década de 70, mas seguiu gravando bons discos e saindo em turnês. Nos anos 80, viveu seu auge no vício em álcool e isso ficou evidente em sua obra — o período menos criativo de sua carreira.

Clapton só viraria o jogo no início da década seguinte, porém de forma trágica. No dia 27 de agosto de 1990 o guitarrista Stevie Ray Vaughan (que estava em turnê com Eric) e dois membros de sua equipe de apoio morreram em um acidente de helicóptero. No ano seguinte, em 20 de março, Conor, seu filho de quatro anos, morreu depois de cair da janela de um apartamento em Nova York. A dor de Clapton pôde ser vista com a canção “Tears In Heaven”, e posteriormente nas canções “My Father's Eyes” e “Circus Left Town”.

Após a tragédia, Clapton ressurgiu com um bem-sucedido “MTV Unplugged” (1993), e mergulhou de cabeça no blues que havia deixado para trás nos anos 70. Além disso, lançou sua polêmica autobiografia em 2007, onde não escondeu nada de seus relacionamentos fracassados e seu vício em drogas. Ainda está ativo nos estúdios (seu último disco de inéditas saiu em 2013), e a turnê de 2015 vem para coroar a carreira de um músico que não parecia que chegaria aos 70 anos, mas não só chegou como teria fôlego para muito mais que isso, mesmo falando pouco. Pablo Tavares
(pablo.tavares@brasileconomico.com.br)

Coleção neoconcreta de Inhotim em cartaz em São Paulo

Pela primeira vez na história do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, sua coleção sai de Minas Gerais e desembarca em São Paulo. A exposição “Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim” é a apresentação do acervo que o instituto mineiro vem formando ao longo dos últimos 10 anos no Itaú Cultural.

Com curadoria do diretor de programas culturais da instituição, Rodrigo Moura, e da curadora portuguesa Inês Grosso, o recorte se foca no estilo neoconcreto dos últimos 50 anos, representado por mais de 50 obras de 29 artistas, nacionais e internacionais, a maioria das quais, nunca exibida em seu parque.

Entre as obras inéditas em exposição está a instalação “Límite de una proyeccíon”, do argentino David Lamelas, a projeção “The U.S.A. Freestyle Disco Contest”, do americano Michel Smith, e o filme “0314’, do mineiro Marcellvs L.

Em meio a peças de arte ambiental, processual e conceitual, instalações, vídeo e filme, esculturas. performance, fotografia documental, a exposição ocupa três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural. Dividida em seis núcleos temáticos, possibilita ao visitante conhecer como a arte neoconcreta praticada entre as décadas de 1950 e 1970, que exerceu decisiva influência sobre as técnicas contemporâneas.

ONDE ASSISTIR

“Do Objeto para o Mundo – Coleção Inhotim” fica em cartaz até 31 de maio no Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô.

Um novo documentário para celebrar o centenário de Sinatra

Frank Sinatra relata a história de sua vida, em suas próprias palavras, em um novo documentário que faz parte das comemorações ao longo deste ano do que seria o centésimo aniversário do cantor.

Em duas partes, o filme “Sinatra: All or nothing at all”, que tem como ponto de partida o show de aposentadoria de Sinatra em 1971, utiliza entrevistas antigas, fotos, filmagens de apresentações e vídeos caseiros jamais vistos.

“Na minha opinião, para uma estrela que nunca escreveu sua autobiografia, acho que aquele show foi sua autobiografia na forma de música”, declarou o diretor do documentário, Alex Gibney.
Sinatra, cuja voz aveludada conquistou legiões de fãs em todo o mundo, fez sua primeira gravação em 1939. Conhecido por clássicos como “My Way”, “New York, New York”, ele continuou gravando quase até sua morte, em 1998.

O documentário de quatro horas será exibido no HBO nos EUA neste domingo, mas não há previsão de estreia no Brasil, segundo o canal de TV por assinatura.

As comemorações em homenagem a Sinatra, durarão o ano todo. Ele completaria 100 anos em 12 de dezembro.

No mês passado, a mostra “Sinatra: An American Icon” foi inaugurada na New York's Public Library for the Performing Arts, nos EUA, com fotos e objetos pessoais do cantor. Reuters

NOTAS

David Alan Harvey no Oi Futuro Ipanema

Nesse domingo, a exposição “(based on a true story)” estreia no Oi Futuro Ipanema. Trata-se de uma mostra sobre David Alan Harvey, da Agência Magnum de fotografias. Entre as obras está uma fotonovela produzida pelo americano nas ruas do Rio de Janeiro.

‘Relatos selvagens’ estreia com ressalvas

Após a tragédia nos Alpes franceses, que coincide com uma história do filme "Relatos Selvagens", o longa argentino estreou em Londres com advertências. As distribuidoras consideraram uma “lamentável coincidência” e afirmaram que a “história pode ser perturbadora”.

‘Madame Bovary’ no Espaço Sesc, no Rio

Até 26 de abril, a montagem da obra "Madame Bovary", de Flaubert, fica em cartaz no Espaço Sesc Copacabana, no Rio. Adaptação é assinada por Bruno Lara Resende . No elenco, Raquel Iantas, Joelson Medeiros, Alcemar Vieira, Lourival Prudêncio e Vilma Mello.


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