Brasil regista mais cirurgias plásticas entre adolescentes

Estudo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) mostra que 97 mil procedimentos foram realizados por jovens com até 18 anos em 2016

Por Felipe Rebouças*

Rio - É fato que o Brasil é o campeão de cirurgias plásticas no mundo. E cada vez mais os procedimentos são realizados por adolescentes — entre 13 e 18 anos. Mas será que fazer uma modificação no próprio corpo nesta fase da vida é algo prudente? Afinal, há uma mudança muito grande nos hormônios e o corpo não está totalmente definido como na fase adulta.

A tese é corroborada pela especialista em terapia cognitivo comportamental, Ellen Moraes Senra. Ela acredita que o ato de aplicar filtros e passar horas fazendo reparos em fotos são sintomas que demonstram essa busca por um padrão perfeito. "Essa perfeição não existe. E quanto mais cedo e mais radical for feita a cirurgia, maior a probabilidade de arrependimento", sinaliza Senra, que devido ao código de ética da profissão não pôde expor a identidade de pacientes. Mas confirmou ter recebido muitas pessoas que a procuraram após a cirurgia a procura de ajuda. "Porque no pós-operatório elas acabam se arrependendo. Na adolescência há uma mudança muito grande nos hormônios e o corpo não está totalmente definido como na fase adulta".

Para a especialista Livia Marques, psicóloga clínica e organizacional, "a sociedade brasileira não tem tabu em relação ao corpo, pois a exposição é natural por aqui, o problema é a falta de um debate mais amplo acerca do anseio por um corpo perfeito, sobretudo entre aqueles que já nasceram num mundo com redes sociais", afirmou. Marques ainda acrescenta que o desejo pela cirurgia está presente geralmente nas mulheres e pode vir de influência familiar.

"Coloquei porque sempre tive uma questão de aceitação com os seios, eles eram muito pequenos e me incomodava o fato de sutiãs pequenos ficarem grandes em mim. Eu já tinha bem claro na minha cabeça que deveria amar meu corpo, mas sabia que era livre para melhorar as coisas que me incomodassem, optei pela prótese. Meus pais me deixaram livre pra escolher, inclusive minha mãe também tem prótese" relata a estudante Maria Carolina, de 20 anos, que fez a cirurgia aos 18, em 2017.

Entretanto, há quem se dirija à sala de cirurgia para restaurar a postura. "Já fiz cirurgias de redução de seios porque a paciente apresentava dor nas costas. Também corrigi o posicionamento de um maxilar para reduzir a pressão no local", relata o cirurgião plástico, José Marcos Badim. Segundo ele, as regiões do corpo mais remodeladas são o nariz, em primeiro lugar, seguido dos seios, queixo, maçã do rosto, abdômen, nádegas e genitália. Na maioria dos casos, o silicone é o material escolhido como prótese pois é aquele que melhor se adapta ao corpo humano. A operação costumar variar de 2h a 3h, a depender da magnitude do ajuste, e o custo gira em torno de R$ 15 a R$ 20 mil.

A busca pela beleza é cada Modificar o próprio corpo é mudar aquilo que o espelho mostra, ou seja, alterar a imagem que se tem de si. De acordo com os últimos levantamentos a respeito do tema, a tomada dessa decisão ocorre cada vez mais cedo no Brasil. Em 2016, 6,6% das cirurgias plásticas no país foram realizadas em pacientes com até 18 anos, equivalente a 97 mil procedimentos, segundo aponta a pesquisa mais recente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O dado põe o Brasil no topo do ranking das operações entre os adolescentes, em números absolutos. Nos Estados Unidos, líder de intervenções em todas as idades, são 66 mil registros entre os mais jovens, equivalente a 4% das cirurgias.

*Estagiário sob supervisão de Luiz Almdeida 

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