Palestra online sobre a ‘História Geológica de VR: das Rochas à Curva do Rio Paraíba do Sul’ - MEP-VR
Palestra online sobre a ‘História Geológica de VR: das Rochas à Curva do Rio Paraíba do Sul’MEP-VR
Por O Dia
Volta Redonda - No último sábado, dia 18, cerca de 90 pessoas acompanharam a exposição do professor André Negrão, volta-redondense, doutor na área de geologia e ligado à USP na sua palestra sobre a ‘História Geológica de VR: das Rochas à Curva do Rio Paraíba do Sul’.
O evento online faz parte do projeto ambiental socioeducacional do Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP-VR), coordenado pela professora Sílvia Real, geóloga que foi a mediadora da conversa. Sílvia lembrou o aniversário da cidade, comemorado no dia 17 de julho, e falou sobre a importância de Volta Redonda em vários aspectos.
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A mediadora, que é filha da cidade fez memória ao legado deixado pelos que aqui já viveram, inclusive os índios Púris e Coroados.
"Hoje agradeço a presença dos moradores, acadêmicos e ambientalistas, e em especial ao aceite do professor André. Nós vamos mergulhar nas nossas ‘raízes geológicas’, será o presente do MEP à cidade no alto dos seus 66 anos", comentou a geóloga ao dar a palavra ao palestrante.
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O professor, André Negrão, de forma muito didática, durante 1h10min apresentou o passado geológico de Volta Redonda e região. O palestrante procurou sistematizar a história das rochas de Volta Redonda que variam de 1.8 bilhões de anos até os sedimentos recentes (atuais), dividido no tempo geológico de forma bastante espaçada.
Na cidade existem rochas comuns como gnaisses e granitos (aquela da pia de cozinha), mas também há registro de pequenas linhas/dutos de rochas vulcânicas (diques). O fato que marca a cidade é a Bacia Sedimentar de Volta Redonda, um ‘buraco’ que recebeu sedimentos de antigos rios - os tataravós do Rio Paraíba do Sul. Essa bacia faz parte de um sistema de bacias ‘irmãs’ que vão de Curitiba até Macaé.
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Apesar de ser bem pequena, a bacia de VR guarda uma particularidade que é o registro vulcânico durante a geração da bacia há cerca de 50 milhões de anos atrás, da rocha Ankaramito. Por fim, em um contexto mais recente existem sedimentos de até 10 mil anos, e também com mais de 20 mil anos, todos os sedimentos fluviais (de rios).
O momento mais esperado da palestra foi a explicação da curva do rio que deu nome à cidade. O professor explicou que esta curva é uma imposição estrutural tectônica, não foi um movimento natural do rio. Essas estruturas marcam a região e se apresentam como linhas/falhas geológicas que controlam o relevo (mar de morros) e também o sistema de drenagem. Possivelmente a falha que afetou a curva do rio é bem recente no tempo geológico, não mais do que 20 mil anos.
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"Nada está isolado, precisamos entender que a configuração sinuosa do rio Paraíba foi fruto de milhares de anos de movimentações lentas, os processos geológicos são amplos e complexos", disse André Negrão.
A reação dos presentes após a apresentação foi de muitos elogios e curiosidade e surgiu a necessidade de retomar o tema e popularizá-lo mais amplamente junto à comunidade. Um dos participantes, professor Renato Ramos comentou sobre a palestra online.
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"Atividades assim são importantíssimas, Volta Redonda tem uma marca geológica que vem sendo estudada por diversas universidades, nós precisamos nos juntar aos moradores. Repensar as rotas geológicas na região, como a Pedreira da Voldac, fazer trabalhos de campo e divulgação para popularizar a ciência".
Na finalização, depois de quase 2 horas, Sílvia Real agradeceu a todos, e reafirmou que o trabalho de aproximar a ciência da população continua, já que é uma ação de respeito ao cidadão e cultura coletiva.