Brasil

Brasil vai ter mais trinta santos

Beatos do século XVII morreram pela fé

Brasília - O Brasil vai ter mais 30 santos. O papa Francisco aprovou na quinta-feira a canonização de beatos massacrados em 1645 no Rio Grande do Norte. Durante a ocupação holandesa, eles se negarem a abdicar da fé católica e se converter ao calvinismo. Os beatos de Cunhaú e Uruaçu já são santos populares na região.

André de Soveral, futuro santo Divulgação

Em Emaús, existe até a paróquia de São Beato André de Soveral, o mais conhecido deles, ao lado de Ambrósio Francisco Ferro. Os dois eram sacerdotes, Mateus Moreira e outros 27 eram leigos.

“Esta canonização é uma grande bênção para a Igreja e vai reavivar a fé e a devoção dos fiéis”, disse o arcebispo de Natal, D. Jaime Vieira Rocha.  Os 30 brasileiros foram beatificados em março de 2000 por João Paulo II. O cardeal D. Cláudio Hummes, que foi arcebispo de Fortaleza, ajudou a levar adiante a causa dos mártires.

D. Jaime pensou na hipótese de a canonização ser em outubro, se Francisco viesse ao Brasil para a comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Como não virá, a cerimônia deverá ser celebrada no Vaticano, em data a ser marcada. Os devotos celebram a memória dos mártires nos meses de julho e de outubro. Há quatro paróquias dedicadas aos beatos no Rio Grande do Norte.

Foram dois massacres coletivos: o primeiro em Cunhaú, atualmente município de Canguretama, e o segundo em Uruaçu, hoje São Gonçalo do Amarante. Segundo relatos da época, mais de 70 pessoas foram assassinadas, mas a Congregação para as Causas dos Santos considerou aqueles cujos nomes são conhecidos. Na cerimônia de beatificação, João Paulo II chamou os novos beatos de protomártires e disse que eles eram exemplos e defensores da fé cristã.

Um dos camponeses teve o coração arrancado pelas costas

Os massacres foram executados por índios tapuias e soldados holandeses, sob comando de Jacob Rabbi, alemão a serviço da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas. As primeiras vítimas foram mortas em um domingo, 15 de julho, durante a missa celebrada pelo padre Ambrósio Ferro. Após a consagração da hóstia e do vinho, a tropa holandesa trancou as portas da igreja e, após um sinal de Rabbi, os índios chacinaram os fiéis.

Também sob as ordens de Jacob Rabbi, um grupo de dezenas de pessoas, entre as quais o padre André de Soveral, foi massacrado em 3 de outubro. Além dos padres André de Sandoval e Ambrósio Ferro, foram mortos os leigos Mateus Moreira e 27 companheiros dele, que serão transformados em santos.

O camponês Mateus Moreira foi dos que mais sofreu: ele teve o coração arrancado pelas costas, enquanto, segundo a tradição, repetia a frase “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

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