O episódio da Linha Amarela, entretanto, pode ter mais motivos do que a imprudência com a deliberada elevação da caçamba: a manutenção do pistão hidráulico, que executa a função, quando negligenciada, permite que a força aerodinâmica levante a carroceria. Isto aconteceu pelo menos outras duas vezes, nos EUA e na Turquia, quando caminhões ‘areieros’ derrubaram passarelas.
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Acionar o dispositivo para elevar a caçamba de um caminhão do tipo do que causou o acidente não é tarefa simples. É preciso que o motorista faça pelo menos três movimentos com pé e mãos.
No site da Secretaria Municipal de Transportes consta que o caminhão tem três multas, duas gravíssimas e uma grave. Em abril de 2013, por bloquear uma via. Em julho de 2012, com uma multa gravíssima em Botafogo. E em março do mesmo ano, por estacionar na calçada). O motorista do caminhão, Luis Fernando Costa há seis meses na empresa e estava com a carteira (categoria D) em dia. O veículo passou por reparos na caixa de marchas e foi devolvido à empresa no domingo.
Na sala de espera do Instituto Médico Legal (IML), parentes das vítimas do acidente da Linha Amarela estavam desolados. Custavam a entender a tragédia, enquanto aguardavam a liberação dos corpos. Para agravar a dor, sentiam-se desamparados, sem apoio de funcionários da prefeitura ou da Lamsa. Este foi o caso do pedreiro Claudeciro Rosa Oliveira. Calado, com o olhar perdido, ele fornecia os documentos de seu único filho, o bancário Adriano Pontes de Oliveira, de 26 anos, que atravessava a passarela para ir trabalhar, quando foi arremessado no rio.
Com o suor do pai, Adriano se formou em Administração e, recentemente, passou para a pós-graduação em Gestão de Negócios da Universidade Federal Fluminense (UFF), fato do qual ele se orgulhava em sua página no Facebook, no álbum “Vitórias”. Ele seria promovido esta semana no banco onde trabalhava. Adriano escreveu na rede que estava ansioso por 2014: “Ano de vitórias e realizações em todas as áreas da minha vida!!!! ops... das nossas vidas caros amigos!!!”, escreveu.
O enterro de Adriano será hoje, às 13 horas, no Cemitério Inhaúma, assim como o de Célia Maria, de 64 anos. Moradora da comunidade Águia de Ouro, em Inhaúma, e mãe de dois filhos, ela caminhava na passarela para ir à feira, na companhia de sua nora, Liliana de Souza Rangel, 36, que fraturou gravemente a bacia e passou por operação ontem, no Hospital Souza Aguiar.
Renato Soares, filho da vítima de mesmo nome, de 62 anos, não aguentou ficar até o final da liberação do corpo do motorista do Palio, que foi completamente destruído pela passarela. O amigo da vítima, Júlio Ribeiro, afirmou que Renato estava trabalhando como documentarista, a serviço do Detran, no momento do acidente. Morador de Niterói, ele transportava dois clientes no carro. Ambos sobreviveram. “É uma tragédia. Ele era saudável. Agora tudo acabou”, disse Júlio, que também reclamou da falta de assistência da prefeitura e da Lamsa aos parentes no IML.
Filho de mulher que ficou nas ferragens mais de meia hora: alívio no hospital
Um dos três passageiros do Palio que foi esmagado pela estrutura da passarela, a prestadora de serviços para o Detran Gláucia Pereira de Andrade, de 56 anos, chegou a ficar presa por mais de meia hora nas ferragens do veículo até ser socorrida pelos bombeiros. Ela foi levada de helicóptero em estado de choque até o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, onde foi submetida a tomografia e ultrassonografia.
“Ela estava tranquila com seus colegas. Demoraram muito para tirá-la do carro e por isso pensei que tinha sido mais grave. Ela estava em estado de choque, muito triste, ainda mais pela morte do colega de trabalho que dirigia o carro. Mas graças a Deus está tudo bem. Ela nasceu de novo”, disse. O homem que dirigia o veículo, Renato Pereira Soares, 62 anos, morreu no local, e o passageiro do banco de trás, Luis Carlos Guimarães, 70, foi levado para o Hospital Salgado Filho, no Méier. Ele teve traumatismo craniano e vai ser submetido a cirurgia.




