Rio - "Para mim, esse adolescente também é uma vítima. Se as pessoas virem o local onde ele mora, vão entender o problema social", afirmou o delegado titular da Divisão de Homicídios da Capital, Rivaldo Barbosa, ao comentar a apreensão do menor suspeito de matar o médico Jaime Gold. O jovem foi encontrado em conjunto habitacional do Minha Casa, Minha Vida, na Favela do Mandela, no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte.
Com 15 passagens pela polícia, o adolescente negou participação no ataque a facas ao médico Jaime Gold, que não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de quarta-feira. No entanto, não restam dúvidas aos agentes de que o menor estava presente na tentativa de assalto na Lagoa Rodrigo de Freitas.
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"Ele não admitiu este crime, mas confessou outros roubos de bicicleta. Pelas provas já recolhidas e pelo seguimento da investigação, ele participou deste roubo seguido de morte", contou o delegado.
A Polícia Civil também conseguiu novas informações sobre o modo como operava a quadrilha. De acordo com os agentes, o grupo assaltava na Zona Sul e levava entre 30 e 40 minutos até o complexo de favelas. Ao ser encontrado, o menor estava em casa com a irmã, o irmão e o cunhado. Naquele momento, segundo os agentes, o menor infrator não demonstrou nenhum nervosismo. Das 15 passagens por delegacias, cinco envolviam roubos com facas ou tesouras.
Dentro da casa do menor apreendido foram encontradas quatro facas e duas tesouras. Esse material ficava em corredor próximo à porta. Das 15 bicicletas apreendidas, uma estava na porta da casa e as outras estacionadas pelo condomínio.
Após a apreensão, o menor apreendido seguirá uma longa jornada. Ele deve ser encaminhado à Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente (DPCA) para ser apresentado ao Ministério Público e ao Juizado da Infância e Juventude. De acordo com a Polícia Civil, equipes da DH seguirão nas ruas em busca de outros integrantes do grupo que praticava os roubos de bicicletas. .
Vítimas reconhecem bicicletas
Por volta das 16h30, um comerciante de 36 anos, morador no Leblon, chegou à DH para reconhecer a bicicleta furtada. Em maio do ano passado, segundo o comerciante, ao prender a bicicleta a um poste na Rua Francisco Otaviano, no Leblon, não a encontrou mais quando voltou. O comerciante contou que trouxe a bicicleta dos Estados Unidos. "É a bicicleta, mas algumas peças foram trocadas", contou.
O delegado descartou que haja a hipotese de que pai ou mãe seja responsabilizado pelos crimes atribuidos ao menor apreendido.