Rio

Manifestantes pedem eleições diretas e renúncia de Temer no Centro

Ato se concentrou na Igreja Candelária e seguiu para Cinelândia onde, por volta das 20h15, a PM lançou bombas de gás e balas de borracha nos manifestantes

Rio - Milhares de manifestantes se reuniram no Centro do Rio, na tarde desta quinta-feira, a favor das eleições diretas e protestam contra a permanência de Michel Temer (PMDB) na Presidência da República. O grupo foi composto por movimentos sociais, sindicatos de várias categorias e também de partidos políticos. De acordo com os organizadores, cerca de 10 mil pessoas participaram do ato.

Milhares de manifestantes se reuniram no Centro para protestar pedindo a renúncia de Michel Temer e eleições diretas Alexandre Brum / Agência O Dia

Em sua conta em uma rede social, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) publicou um vídeo ao lado do ator Wagner Moura pedindo que a população compareça ao protesto, que se concentrou na Igreja Candelária às 16h. Os militantes seguiram em passeata pela Avenida Rio Branco e chegaram à Cinelândia, por volta das 19h.

Com cartazes como "Fora Temer" e Diretas Já", palavras de ordem e hinos como "Ah, o Lula vai voltar" e "Olha a explosão, Pezão vai preso não é mole não", os manifestantes se concentram no local.

Milhares de manifestantes em ato na Candelária WhatsApp O DIA (98762-8248)

Por volta das 20h15, cerca de 50 pessoas mascaradas — adeptas da prática black bloc — iniciaram um confronto contra a Polícia Militar, que acompanhava o ato que seguia pacífico. Pedras foram arremessadas pelo grupo e o militares reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Um grupo de mascarados arremessou pedras contra a Polícia Militar, que reagiu lançando bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes WhatsApp O DIA (98762-8248)

Miltares do Batalhão de Choque (BPChq) cercaram as ruas da região e dispersaram o protesto por volta das 21h. Muitos manifestantes caminharam em direção ao metrô da Cinelândia e outros seguiram para a Lapa e para o Aterro do Flamengo, onde mais bombas foram lançadas pelos policiais. 

Caçambas de lixo foram reviradas e manifestantes colocaram fogo em entulhos na Rua Gomes Freire, que teve o trânsito interrompido por 30 minutos. Bombeiros e caminhões da Comlurb foram acionados para apagar as chamas e recolher os dejetos nas áreas afetadas.

O fluxo também foi lento na Rua do Riachuelo e Marquês de Abrantes. Ainda não há informações sobre a quantidade de feridos ou detidos.

Por causa do protesto, o trânsito no Centro ficou complicado. Por volta das 17h15, o Centro de Operações da Prefeitura (COR), interditou as pistas central e lateral da Avenida Presidente Vargas, no sentido Candelária, na altura Avenida Passos. Às 21h50, o tráfego foi liberado No momento, há interdições no entorno da Praça Tiradentes e Arcos da Lapa. 

Protesto terminou com bombas lançadas pela PM Alexandre Brum / Agência O Dia

O motorista enfrentou lentidão na Avenida Presidente Antônio Carlos, Avenida Passos, Rua Buenos Aires, Rua da Assembléia e ao longo da Rua 1º de Março. Agentes da CET-Rio atuam no local.

Já o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) informou que todo o serviço do transporte foi paralisado temporariamente. Segundo a concessionária, a recomendação é que os úsuarios optem pelo metrô.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil informaram que particpam do protesto para que o direito da população manifestar pacificamente seja respeitado. 

Cariocas fazem 'panelaço' e gritam 'fora Temer' durante pronunciamento

Houve panelaços e gritos contra o presidente Michel Temer (PMDB) no Rio na tarde desta quinta-feira, durante o pronunciamento que ele fez em Brasília, transmitido ao vivo por canais de televisão.

Havia expectativa de que o presidente renunciasse, mas Temer afirmou que não teme nenhuma delação e que não vai renunciar. Os panelaços foram ouvidos nos bairros da zona sul, como Ipanema e Humaitá, e também na Barra da Tijuca, na zona oeste. Pelas janelas e mesmo na rua, pessoas gritaram palavras de ordem contra o presidente - "Fora Temer" foi a mais comum.

Deputada protocola pedido de renúncia 

A deputada estadual Zeidan (PT) vai protocolar nesta sexta-feira, um ofício assinado por outros deputados, exigindo a renúncia de Michel Temer. O documento será enviado para Câmara dos Deputados.

No plenário da Casa nesta quinta-feira, assinaram a nota os deputados: Eliomar Coelho, Flávio Serafoni, Gilberto Palmares, Waldeck Carneiro, Luiz Paulo, Paulo Ramos, Tio Carlos, Lucinha, Geraldo Moreira, Marco Figueiredo, Janio Mendes, André Ceciliano, Carlos Osório, Bruno Dauaire, Wanderson Nogueira, além da deputada Zeidan, que tentará mais assinaturas amanhã.

Denúncia

No início da noite desta quarta-feira, o jornal O Globo publicou reportagem, segundo a qual, em encontro gravado em aúdio, em março deste ano, pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, Temer teria sugerido que se mantivesse pagamento de mesada ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e ao doleiro Lúcio Funaro para que estes ficassem em silêncio. Batista, conforme a reportagem, firmou delação premiada com o Ministério Público Federal e entregou gravações sobre as denúncias.

Em nota, a Presidência da República informou que o presidente Michel Temer "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha", que está preso em Curitiba, na Operação Lava Jato. A nota diz ainda que o presidente "não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

Manifestantes se concentram na Igreja Candelária WhatsApp O DIA (98762-8248)

Michel Temer diz que não renuncia 

Michel Temer anunciou, em pronunciamento na tarde desta quinta-feira, que não vai renunciar à Presidência da República, um ano e seis dias após assumir o cargo com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

"Aviso que não renunciarei. Não vou renunciar porque não tenho nada a esconder. Não preciso de cargo público nem de foro especial. Não comprei o silêncio de ninguém. A investigação do STF será o território onde surgirão todas as explicações e no Supremo demonstrarei minha inocência. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e rápida, tão rápidas quanto as investigações clandestinas".

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