Rio

No Carnaval, todo mundo 'deve', todo mundo samba

Fornecedores cobram dívidas de escolas, que reclamam de falta de repasse da Riotur

Rio - No Carnaval carioca todo mundo é bamba. Todo mundo deve, todo mundo samba. Se por um lado a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa, do Grupo Especial) e a Liga Independente das Escolas de Samba da Série B (Liesb) reclamam que a Riotur lhes deve dinheiro; por outro, trabalhadores e empresas que prestaram serviço ou firmaram contratos com as escolas de samba também protestam contra os calotes que levaram das agremiações.

“Três escolas do Grupo Especial me devem mais de R$100 mil e não querem pagar”, queixa-se um profissional de comunicação, que produziu revistas para tradicionais escolas de samba.

As escolas dos grupos B, C e D, que desfilam na Intendente Magalhães, reclamam que a prefeitura ainda não pagou cerca de R$ 800 mil referentes ao apoio do Carnaval Wagner Maia / Agência O Dia

Algumas pendengas envolvendo as escolas de samba acabaram parando na Justiça. Uma das atuais campeãs do Grupo Especial, a Portela é citada em 10 ações cíveis no Tribunal de Justiça do Rio. Em uma delas, a King Instrumentos Musicais cobra uma dívida de R$ 63 mil, referente à compra de 78 surdos.

A outra campeã, Mocidade Independente de Padre Miguel, está sendo processada pela Cervejaria Petrópolis, pela quebra de contrato. Em 2014, a Mocidade se comprometeu a vender, com exclusividade, a cerveja Itaipava, em troca de investimentos de R$ 1,5 milhão na quadra da escola.

Mas, segundo a Petrópolis, a Mocidade não cumpriu o combinado. A cervejaria quer receber R$ 1,1 milhão da escola. A Estação Primeira de Mangueira também está sendo acionada na Justiça em sete processos. Um deles foi movido pelo artesão Edson de Queiroz Cirylo,que cobra R$ 101 mil da Verde e Rosa, por fantasias feitas.

A Liesa e a Liesb afirmam que a dívida da prefeitura com as 72 escolas que representam seria de R$ 2 milhões — sendo R$ 1,2 milhão para as 12 agremiações da elite do carnaval e o restante para as escolas dos grupos B, C e D.

A Riotur admitiu atraso no repasse para as escolas, mas garantiu que a dívida com a Liesb será quitada em até 15 dias. Já as agremiações do Grupo Especial que tiveram as contas aprovadas devem receber o restante do repasse referente ao último carnaval em até 10 dias.

Das 12 escolas, quatro tiveram as contas rejeitadas e terão que cumprir as exigências antes de receber o restante do pagamento. A Riotur confirmou que repassará R$ 13 milhões às escolas de samba do Grupo Especial para o Carnaval de 2018, o que representa redução de 50% em comparação ao valor deste ano.

Repasse que era de R$ 1 milhão, dobrou a partir de 2015

Apesar de a Riotur, órgão da prefeitura responsável pela organização do Carnaval carioca, ter afirmado que os desfiles de 2018 estão garantidos e que não há motivos para polêmicas, as ligas que representam as escolas de samba afirmaram que a situação financeira é grave.

Elas insistem que caso o corte no repasse da prefeitura seja confirmado, os desfiles do ano que vem estarão comprometidos. Segundo o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, a dívida da prefeitura com as escolas referente ao repasse do último Carnaval somada com a previsão de corte no orçamento pode comprometer a qualidade do espetáculo no ano que vem.

“Com a crise, ficou mais difícil buscar parcerias com as empresas privadas. Como a prefeitura pode garantir que o Carnaval está mantido se as escolas que fazem os desfiles estão afirmando que não terão recursos para desfilar caso haja redução do apoio financeiro. Se o corte for confirmado, o Carnaval vai perder em qualidade e isso é prejudicial para a cidade”, avaliou.

Ainda segundo Castanheira, a Prefeitura do Rio aumentou, em 2015, o repasse para R$ 2 milhões por escola — antes a subvenção era de R$ 1 milhão — por conta da crise que impediu o governo estadual e a Petrobras de investirem no Carnaval. “Até 2014, o governo do estado investia R$ 500 mil em cada escola e a Petrobras dava mais R$ 1 milhão para cada”, explicou.

A Riotur informou que já estuda o desenvolvimento de mecanismos para que sejam captados investimentos privados para o Carnaval. O lançamento de um caderno de encargos, como o que é feito para os blocos, está sendo avaliado. O órgão acrescentou que o repasse de R$ 13 milhões às escolas não é único investimento da prefeitura no desfile, já que o município tem “um gasto anual enorme com a manutenção da estrutura do Sambódromo”.

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