Gripe de verão pode afetar entre 15% e 20% da população

Doença também ataca na estação mais quente do ano, castigando crianças, idosos e quem sofre de doenças crônicas

Por FRANCISCO EDSON ALVES

No verão, gripe costuma afetar entre 15% e 20% da população
No verão, gripe costuma afetar entre 15% e 20% da população -

Rio - É sua folga sagrada, sol a pino, calorão e... atchimmmm! Puxa vida...Lá se vão seus planos de ir à praia por causa de uma gripe de verão. Mas calma, não se desespere! Não se trata de azar numa época em que todo mundo aparenta estar se divertindo. Além disso, você não está sozinho nesse mundo cujos sintomas são tosse, febre, dores musculares e mal-estar.

De acordo com especialistas, a gripe é uma doença infecciosa que, durante a estação mais quente do ano, costuma afetar entre 15% e 20% da população. Os mais atingidos são crianças, idosos e portadores de enfermidades crônicas. Então, todo cuidado é pouco! Somente no primeiro semestre do ano passado, 839 pessoas morreram no país em decorrência de complicações com vírus gripais. O triplo do número registrado no mesmo período de 2017.

De fato, estudos recentes publicados pela Public Health England (agência executiva do Departamento de Saúde e Assistência Social no Reino Unido) dão conta de que o número de pessoas afetadas tem aumentado de uns tempos para cá. Em grande parte dos casos, inclusive, as reações costumam ser mais fortes no verão do que naqueles meses de friozinho.

Não é o primeiro estudo do tipo. O especialista em virologia e professor da universidade Queen Mary (Londres) John Oxford já tinha publicado um artigo científico havia dois anos, dando conta de que, em algumas pessoas, os sintomas da doença no verão costumam ser mais acentuados. Um dos motivos é porque, além do sistema respiratório superior (passagens nasais e garganta), o vírus da gripe de verão ataca também o sistema gastrointestinal.

Mariana Sgarbi, Médica de Família, adverte para o uso exagerado de ar condicionado - Arquivo Pessoal

Gripe ou resfriado

É preciso, no entanto, ter atenção para um detalhe. Muitas vezes, a gripe é, na verdade, um resfriado. Você saberia dizer qual é a diferença? A médica de família Mariana Sgarbi, que atua na cidade do Rio de Janeiro, explica que, no caso do resfriado, os agentes etiológicos são os rinovírus. Eles caracterizam quadros mais brandos e autolimitados, geralmente sem maiores complicações.

"A exemplo da influenza, os rinovírus têm maior sobrevida em ambientes mais frios. Por isso, o uso excessivo de ar-condicionado pode aumentar a transmissão deles, assim como ambientes fechados e compartilhamentos de copos e talheres", adverte Mariana.

Os sintomas são até parecidos. Mas há uma diferença grande entre gripe e resfriado. A primeira é causada por mutações do vírus influenza. É mais severa e geralmente leva o paciente à cama, com febre, exaustão, e outros sintomas que ocorrem de forma rápida. Já o segundo pode ter origem em mais de 200 tipos de vírus, e seus efeitos aparecem de forma mais gradual.

Mariana Sgarbi lembra que a melhor forma de prevenção contra a gripe em geral é a vacina, fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) geralmente nos meses de outono, antecipando-se, assim, a uma eventual epidemia no inverno. Nessa época, o sistema imunológico do indivíduo geralmente fica mais fraco.

"Mas infeções de vias áreas também podem ser evitadas por meio de medidas simples, como a lavagem frequente das mãos. Se possível, o ar-condicionado deve ser substituído por ventiladores e janelas abertas, para que haja circulação de ar", aconselha Mariana.

Outra coisa importante: mudanças bruscas de temperatura também afetam o sistema imunológico, assim como exposição prolongada ao sol, que pode desidratar o organismo. Nessas condições, segundo Adriano Ribeiro, farmacêutico da rede Extrafarma, é importante manter uma alimentação equilibrada, dando preferência a alimentos ricos em vitamina C. Acerola, laranja, brócolis e pimentão, por exemplo. Hidratar o organismo também é essencial, por meio do consumo adequado de água, sucos naturais, água de coco, chás e sopas leves.

Sintomas não devem ser ignorados

Apesar de muitos minimizarem os sintomas, dizendo que contraíram "apenas uma gripinha", é bom ficar atento. Em 2018, além do aumento de 194,4% no número de mortes por gripe em relação a 2017 (839 contra 285 óbitos), conforme a Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde, também foram computados 4.680 infecções no país, contra 1.782 no mesmo período do ano anterior.

A estatística do segundo semestre de 2018 ainda não foi divulgada. No ano passado, a maioria dos casos (60%) divulgados foi provocada pelo subtipo H1N1 do vírus influenza; já em 2017, a maior parte (73,7%) foi provocada pelo influenza A (H3N2).

Na dúvida quanto à alimentação, tipos de medicamentos (paracetamol ou ibuprofeno, por exemplo) e vitaminas, a orientação de especialistas é sempre consultar um médico. Cada idade e cada estrutura física, entre outros fatores, requerem um tipo de cuidado diferente.

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