Por thiago.antunes
Publicado 01/12/2017 23:22

Rio - A proposta de fusão entre a ArcelorMittal Brasil e a Votorantim Siderurgia, duas das três maiores produtoras de aços longos no país, acendeu um alerta no setor de sucatas, a principal matéria-prima usada na fabricação do produto. A preocupação dos representantes do segmento é que, com a concentração das companhias, haja um poder de compra dominante sobre o mercado, o que poderia levar à queda no preço da sucata. A fusão das empresas está sendo analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A decisão final, prevista para março de 2018, pode afetar cerca de 1,5 milhão de trabalhadores ligados ao setor de sucata no país.

A estimativa é do Instituto Nacional das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Inesfa), que, junto com a CSN e o Sindicato das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Sindinesfa), entrou com uma representação no Cade contra a união das empresas. Em setembro, a Superintendência-Geral do conselho emitiu parecer contrário à aquisição da Votorantim pela concorrente ArcelorMittal. Agora, o caso será analisado pelo Tribunal do órgão.

A sucata é a matéria-prima usada na produção de aços longosDivulgação

Segundo a manifestação inicial do Cade, a transação significaria a eliminação de um concorrente relevante num segmento onde as três maiores empresas ArcelorMittal, Votorantim Siderurgia e Gerdau respondem por mais de 80% da produção de aços longos no Brasil. Assim, constataram os técnicos do Cade, a fusão implica em um significativo aumento do poder de compra de sucata, o que poderia prejudicar os fornecedores do produto, que, como apontou o parecer do conselho, dependem da venda da sucata para as siderúrgicas.

"Com a união das empresas, vai haver concentração do poder de compra. Quanto menos empresas comprando, menor será o valor da sucata", aponta Leonardo Palhares, diretor de assuntos institucionais do Inesfa.

O Inesfa e o Sindinesfa promoveram%2C em novembro%2C um encontro em São Paulo para debater os efeitos da concentração das usinas de açoDivulgação

Na cadeia de produção, estão os catadores de materiais recicláveis. No caso da sucata, serve qualquer objeto de metal, como latinhas de alumínio. O material segue para as empresas de reciclagem, que preparam a sucata para as siderúrgicas produzirem o aço, produto destinado às indústrias do construção civil e automotiva, principalmente.

Proprietário da Bal Prensa Comércio e Indústria de Ferro, Marco Aurélio Borgerth é uma voz discordante no Inesfa. Para o empresário, que tem cerca de 5 mil catadores cadastrados na empresa, a fusão entre a ArcelorMittal e a Votorantim é positiva. "Ao comprar a Votorantim, a ArcelorMittal não vai permitir que aconteça a ilegalidade que alguns sucateiros praticam hoje. Eles vendem a sucata com nota fiscal de um estado diferente do local de produção, para ganhar a mais com frete e ICMS. Isso causa especulação no preço da sucata", diz.

Leonardo Palhares%2C diretor de assuntos institucionais do InesfaDivulgação

A posição das empresas

Em nota, a ArcelorMittal afirmou que, caso a fusão seja aprovada, 'continuará fiel a sua política de lidar com fornecedores de portes diversos em termos e condições justas'. Segundo a empresa, a transação irá aumentar a competitividade do mercado brasileiro do aço. Já a Votorantim informou que 'colabora com o Cade para identificar e solucionar eventuais preocupações concorrenciais e continua confiante nos méritos da transação'.


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