Por leonardo.rocha
Publicado 20/08/2014 19:13 | Atualizado 20/08/2014 21:53

São Paulo - Dezenas de pessoas, entre vítimas, jornalistas e curiosos, se aglomeraram em frente ao portão de desembarque do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, esperando pela passagem do ex-médico Roger Abdelmassih, na tarde desta quarta-feira. Ele foi hostilizado com vaias e gritos pedindo por Justiça ao passar pelo corredor onde era aguardado, logo após ter sido submetido ao exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).

Ex-médico condenado por estuprar pacientes é preso no ParaguaiDivulgação

Condenado a 278 anos de prisão, o ex-médico desembarcou pouco antes, às 14h55, após ter sido transferido de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, em direção à capital paulista em uma aeronave da Polícia Federal, por volta das 12h20. Ele foi preso na terça-feira, em Assunção, no Paraguai.

No desembarque, Abdelmassih seguiu direto para o Instituto Médico Legal (IML), onde foi submetido a um exame de corpo de delito antes de ser encaminhado à Penitencária 2 de Tremembé, no interior do Estado. Quatro viaturas do Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas (Decade) fizeram sua escolta, segundo informações da Polícia Federal.

Ex-médico Roger Abdelmassih é preso no Paraguai

A casa de detenção é conhecida por abrigar presos famosos, como os irmãos Cravinhos e Suzane Richtofen, assassinos confessos dos pais da jovem, Marísia e Manfred Richtofen. Também é lá em que Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni, condenados pela morte da pequena Isabella Nardoni, e o mensaleiro Marcos Valério se encontram desde que foram condenados.

'Boas vindas para o inferno'

Desde o instante em que souberam da prisão de Roger Abdelmassih, foragido desde 2011 e capturado na última terça-feira (19) no Paraguai, as mulheres que lutavam ativamente por sua prisão vivem um turbilhão de sentimentos. Divididas entre a euforia e o temor, as vítimas dos estupros e abusos cometidos por Abdelmassih quando ele liderava uma das mais prestigiosas clínicas de fertilização do país, chegam a apenas um consenso: o alívio por ver o médico foragido mais perto de pagar por seus crimes.

Vanuzia Leite Lopes, de 54 anos, é uma de suas vítimas. Quando tentava engravidar, em 1993, foi violentada pelo ex-médico. Apesar do registro na polícia e do exame de corpo de delito, nada foi feito à época. Os arrastados 21 anos que se passaram desde então a fizeram correr para o aeroporto no impulso de não perder sequer um segundo da única oportunidade que terá de confrontar seu algoz: "Vamos dar boas vindas para o inferno que ele fez por merecer", escreveu ela em seu perfil no Facebook.

"Somos poucas vítimas a colocar nossos rostos, mas desde o momento da prisão já recebi ligações de mais de 50 outras mulheres que também sofreram na mão dele. Elas me ligam para agradecer e pedir que este agradecimento também seja repassado à imprensa, que nos ajudou o tempo inteiro. Por isso tudo, estou sem dormir desde ontem", disse Vanuzia ao iG.

"Estamos também muito orgulhosas por termos colaborado com as investigações", complementou, referindo-se ao envio de documentos de chamadas telefônicas e registros bancários. Na mesma rede social, ela e suas colegas de causa pediam informações sobre o possível paradeiro de Abdelmassih.

O Caso

Foragido desde 2010, quando foi considerado culpado pela Justiça por 52 estupros e atentados violentos ao pudor contra pacientes, Abdelmassih foi preso em Assunção, capital do Paraguai, na terça-feira. Ele foi detido perto da escola dos filhos por agentes ligados à Secretaria Nacional Antidrogas do país, em uma ação com apoio da PF brasileira. O ex-médico vivia na cidade com a mulher, Larissa, e suas duas crianças.

Abdelmassih figurava entre os criminosos mais procurados do mundo na lista da Interpol, organização que coopera com países em investigações internacionais. O Programa Estadual de Recompensas da Secretária de Segurança Pública de São Paulo oferecia R$ 10 mil por informações que levassem a seu paradeiro.

Antes das denúncias sobre abuso sexual e estupro, ele era considerado um dos maiores especialistas em fertilização in vitro do Brasil e se autodenominava "Doutor Vida". Segundo o ex-médico, pelo menos 6.500 bebês nasceram graças aos seus tratamentos, que, no auge, chegaram a custar R$ 38 mil, em 2008.

Em sua clínica na Avenida Brasil, zona sul de São Paulo, passaram famosos como o ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, o senador Renan Calheiros, o apresentador Gugu Liberato, o humorista Tom Cavalcanti e o ex-presidente da República Fernando Collor de Mello.

Ex-pacientes que sofreram abusos de Abdelmassih comemoraram a prisão. "Pulei de alegria [quando soube da captura]", disse ao iG a advogada Crystiane Cardoso de Souza, que credita ao ex-médico a responsabilidade pelos piores momentos de sua vida. Outra vítima, Vanuzia Leite Lopes, desabafou em sua página no Facebook: "Vamos dar boas vindas para o inferno que ele fez por merecer".

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