Publicado 01/06/2026 12:26
Ilha Grande - O início da cobrança da Taxa de Turismo em Angra dos Reis, nesta segunda-feira, 1º, foi marcado por protestos, críticas do setor turístico, transtornos aos visitantes e um ato de vandalismo registrado na Vila do Abraão, principal porta de entrada da Ilha Grande, patrimônio mundial pela Unesco.

No último fim de semana, que antecedeu a implantação da cobrança, o Cais do Abraão registrou intensa movimentação de turistas. Com o aumento do fluxo de visitantes e as condições climáticas adversas, moradores e turistas reclamaram das longas filas e da falta de estrutura adequada para embarque e desembarque durante a chuva.
A medida, que passou a valer nesta segunda-feira (1º), continua gerando forte reação entre empresários ligados ao turismo local. A Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande (AMHIG), que reúne pousadas, hostels, casas de temporada e empreendedores do setor, afirma que a cobrança foi implementada sem diálogo suficiente com a comunidade e pode provocar impactos negativos na economia da região.
De acordo com a prefeitura a implantação da taxa ocorrerá de forma gradual. Em 2026, os visitantes pagarão apenas 50% do valor previsto, com cobrança iniciada nos cais de Santa Luzia, Vila do Abraão, Japariz e Araçatiba. Em 2027, o desconto cairá para 25%, e, a partir de 2028, será cobrado o valor integral.
Ainda segundo a nova regra, neste primeiro ano, turistas que permanecerem até sete dias na Ilha Grande pagarão 10 UFIRs, equivalente a R$ 47,50. A partir do oitavo dia, será acrescido o valor de meia UFIR por diária adicional, cerca de R$ 2,37 por dia. Estarão isentos da cobrança moradores da Ilha Grande, familiares até o segundo grau, pessoas credenciadas na TurisAngra, prestadores de serviço, crianças de até 12 anos e idosos com mais de 60 anos.
A polêmica aumentou após uma fiscalização realizada pelo Procon-RJ na Vila do Abraão, noticiada pelo O Dia. Durante a ação, foram levantados questionamentos sobre a empresa responsável pela operação da taxa, que poderá receber 12% de toda a arrecadação gerada pelo sistema. O órgão também apontou possíveis problemas relacionados à transparência das informações, proteção de dados dos visitantes e suspeitas envolvendo operações irregulares de câmbio destinadas a turistas estrangeiros.
Em nota, a AMHIG afirmou que a nova cobrança pode afastar visitantes e comprometer toda a cadeia econômica da ilha, incluindo pousadas, restaurantes, bares, operadoras de passeios e trabalhadores do setor.
"A Ilha Grande vive do turismo e qualquer cobrança implantada sem planejamento e diálogo pode gerar consequências graves para toda a economia local. Existe uma preocupação muito grande dos empresários com a possibilidade de queda no número de visitantes e aumento do desemprego" - destacou a entidade.
A associação também ressaltou que a Ilha Grande possui reconhecimento internacional como patrimônio natural e que decisões de grande impacto devem ser amplamente debatidas com a população e os setores produtivos.
Além das manifestações contrárias à taxa, a madrugada desta segunda-feira foi marcada por um episódio de vandalismo. Câmeras de monitoramento registraram dois homens quebrando e incendiando a cabine da estação do programa Viva Angra, instalada na Vila do Abraão para operar o novo sistema de cobrança.
Em nota oficial, a Prefeitura informou que o incêndio foi criminoso e que as investigações já foram iniciadas com a participação das forças de segurança que atuam no município.
“Os totens do programa Viva Angra, instalados na Vila do Abraão, Ilha Grande, foram alvo de um incêndio criminoso na madrugada desta segunda-feira (01/06), data prevista para o início do programa”, informou a administração municipal.
A Prefeitura destacou ainda que a destruição de equipamentos públicos configura crime e prejudica toda a coletividade, reafirmando que o programa Viva Angra é considerado fundamental para fortalecer o turismo responsável e ampliar os investimentos em sustentabilidade na região.
Também nesta segunda-feira, barqueiros, moradores e trabalhadores ligados ao turismo realizaram uma manifestação no cais de embarque e desembarque da Vila do Abraão contra a cobrança da taxa. O protesto reuniu dezenas de pessoas e evidenciou o clima de tensão que se instalou na comunidade desde o anúncio da medida.
“Não sabemos onde isso tudo vai parar. Um lugar de paz e tranquilidade se transformou nisso daí. Vandalismo e perigo para nós moradores”, relatou um morador durante a manifestação.
Até o fechamento desta reportagem, a polícia ainda não havia divulgado a identificação ou localização dos suspeitos que aparecem nas imagens registradas pelas câmeras de monitoramento.
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