Prefeito Ferreti afirma que continua trabalhando à frente da PrefeituraDivulgação/Reprodução Rede Social
Publicado 03/08/2026 18:24
Angra dos Reis - A Justiça Eleitoral de Angra dos Reis cassou os mandatos do prefeito Ferreti e do vice-prefeito Rubens Rocha, além de declarar a inelegibilidade, pelo período de oito anos, do ex-prefeito Fernando Jordão e da empresária Gabriela Athias. A decisão aponta abuso de poder político e econômico durante as eleições municipais de 2024.
De acordo com a sentença, assinada pelo juiz da 147ª Zona Eleitoral Carlos Manuel Barros do Souto, a prática teria ocorrido por meio da produção e divulgação de vídeos de caráter difamatório contra o então candidato Renato Araújo do PL. Segundo a investigação, os conteúdos teriam sido financiados por meio de pagamentos a ex-funcionários e produzidos com utilização da estrutura da administração municipal.
Na sentença o magistrado teve como base provas obtidas durante a Operação Veritate (deflagrada em outubro de 2025 pela PF para investigar e combater um esquema de desinformação, difamação e associação criminosa com foco nas eleições 2024), incluindo conversas extraídas de celulares apreendidos. Conforme a decisão, as mensagens indicariam um "esquema coordenado" para prejudicar o adversário político durante a campanha eleitoral.
Foram identificados ainda, de acordo com a sentença, pagamentos em dinheiro, com valores entre R$ 500 e R$ 1.500, que teriam totalizado pelo menos R$ 9 mil destinados à produção dos vídeos. Para o juiz, o material não apresentava finalidade jornalística e teria sido elaborado com o objetivo de influenciar o resultado das eleições.
Nas eleições de 2024, Ferreti foi eleito com 42,41% dos votos válidos, enquanto Renato Araújo obteve 41,27%. A diferença entre os dois candidatos foi de pouco mais de um ponto percentual.
A ação foi apresentada à Justiça pela coligação Angra para Todos (PL/NOVO). A decisão determina ainda o encaminhamento de cópias do processo ao Ministério Público Federal para apuração de possível falso testemunho atribuído a uma publicitária.
Prefeito se manifesta
Após receber a decisão, Ferreti afirmou que encara o momento com respeito e serenidade e destacou que confia no processo judicial. O prefeito ressaltou que a sentença ainda não é definitiva e que pretende manter normalmente as atividades da administração municipal.
- Meu trabalho continua exatamente como sempre foi, desde o primeiro dia de mandato: presente nas ruas, cuidando de cada projeto e de cada entrega. Sigo firme, cuidando da nossa gente - afirmou.
Ferreti também declarou confiança na Justiça e no Estado de Direito.
- Vamos fazer o melhor para a nossa cidade. Nós temos certeza que a Justiça prevalecerá e o Estado de Direito que nos outorgou prefeito e vice-prefeito da nossa cidade vai continuar nesse mandato de quatro anos -  disse.
Em rede social o adversário político de Ferreti à prefeitura de Angra, nas eleições de 2024, o empreiteiro Renato Araújo, (PL) se manifestou sobre a decisão da Justiça Eleitoral e disse que foi alvo durante o pleito de fake news, que buscava desviar o foco da sua campanha.
- Eu sempre acreditei que a verdade prevaleceria. As instituições existem para garantir que ninguém esteja  acima da Lei, quando elas cumprem o seu papel, quem vence é a democracia. É o Estado de Direito - disse. 
A defesa do ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal pelo MDB, Fernando Jordão, em nota ao O Dia, informou que a sentença da justiça foi recebida com respeito e segue a nota afirmando  "estamos convictos que, por não existir um fato sequer imputado a Fernando Jordão, a inelegibilidade será revertida. Ainda são cabíveis recursos com efeito suspensivo, sendo certo que ele disputará a eleição para o cargo de Deputado Federal em 2026. A sentença reconhece que não houve divulgação de informação falsa, muito menos gasto público nos fatos mencionados”.
Decisão ainda pode ser contestada
A sentença é passível de recurso ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). No documento, o juiz Carlos Manuel ressalta que as medidas determinadas na sentença não terão execução imediata. Segundo o magistrado, as providências serão efetivadas somente quando não houver mais possibilidade de recurso ou caso a decisão seja eventualmente confirmada por um tribunal colegiado.
A observação, segundo o juiz, busca garantir “clareza e segurança jurídica” e evitar eventual desinformação de natureza política ou eleitoral sobre os efeitos da sentença.
A reportagem do O Dia não conseguiu contato com a empresária Gabriela Athias.
 
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