PF prende seis suspeitos em operação bilionária que chega a Angra dos Reis
Investigação aponta lavagem de mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos; dinheiro vivo foi encontrado em adega de uma mansão alvo de busca e apreensão de um dos presos na operação
Mansão luxuosa em Angra é alvo de busca e apreensão da Polícia FEderalDivulgação/Reprodução Rede Social
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (15) a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro de origem ilícita. A ação alcançou sete municípios do estado do Rio de Janeiro, incluindo Angra dos Reis, onde agentes encontraram dinheiro em espécie dentro de uma adega em uma mansão luxuosa de um dos suspeitos presos, nesta operação.
Policial federal tira de dentro da adega dinheiro vivo em espécie de um dos presos na operação em AngraDivulgação/Reprodução PF
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Segundo a PF, os seis alvos de prisão foram detidos. Além de Angra, a operação ocorreu na capital fluminense e em outros municípios do Estado, como em Niterói, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
A investigação apura a atuação de um esquema que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O montante foi identificado a partir de informações do Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Polícia Federal.
De acordo com os investigadores, a estrutura criminosa utilizaria empresas do setor de combustíveis para dissimular e dar aparência legal a recursos provenientes de atividades ilícitas. O grupo também teria participação de agentes públicos e articulação político-institucional, ampliando o alcance das suspeitas.
Empresas suspensas
Por determinação judicial, foram bloqueados bens e valores vinculados aos investigados, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas relacionadas ao esquema. Desse total, 96 são postos de combustíveis apontados como parte da estrutura utilizada para movimentar os recursos.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento de mandados contra policiais civis investigados. A medida busca assegurar o acompanhamento institucional das diligências que envolvem integrantes das forças de segurança.
Os investigados poderão responder por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comercialização ilegal de combustíveis e formação de cartel. As responsabilidades individuais ainda dependem do avanço das apurações e da análise das provas reunidas.
Força-tarefa
A oitava fase da Operação Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal conforme as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, com objetivo de desarticular a estrutura financeira da organização, interromper as atividades empresariais suspeitas e aprofundar a apuração sobre a possível participação de agentes públicos. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e esclarecer a origem e o destino dos valores movimentados. O nome do suspeito detido em Angra não foi oficialmente divulgado pela PF.
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Policial federal tira de dentro da adega dinheiro vivo em espécie de um dos presos na operação em AngraDivulgação/Reprodução PF
Mansão luxuosa em Angra é alvo de busca e apreensão da Polícia FEderalDivulgação/Reprodução Rede Social
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