Agentes do Ministério Público do Rio de Janeiro cumpriram mandados de prisão contra os três PMs acusados de patrulhamento seletivo Reprodução/MPRJ
Publicado 10/09/2026 09:15
Belford Roxo - Três policiais militares denunciados por corrupção passiva militar foram presos preventivamente nesta quinta-feira (10), durante a sexta fase da Operação Patrinus, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Segundo as investigações, os agentes receberam ou negociaram pagamentos para direcionar o patrulhamento a uma clínica em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

Dois dos policiais já estavam presos por outro processo decorrente da mesma investigação. Os novos mandados foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional (BEP) e no presídio Joaquim Ferreira de Souza. O terceiro denunciado foi localizado em casa, no bairro Parque Rosário, em Nova Iguaçu. A operação teve apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seap).

De acordo com o MPRJ, os três policiais teriam recebido ou negociado valores para oferecer atendimento diferenciado à Clínica Fênix, em Belford Roxo. O estabelecimento integraria uma rede de comerciantes e empresas chamados pelos agentes de “padrinhos”, que, segundo a investigação, pagavam para obter policiamento privilegiado.

Em troca dos pagamentos, os policiais teriam incluído os estabelecimentos como prioridade nas rotas das equipes e direcionado o patrulhamento para esses locais, além de atender aos chamados dos responsáveis. Para o Ministério Público, recursos e serviços da Polícia Militar eram empregados em benefício de interesses privados.

No episódio envolvendo a Clínica Fênix, os investigadores identificaram o pagamento de R$ 50 e conversas sobre a possibilidade de elevar o valor para R$ 100. Mensagens encontradas no celular de um dos denunciados registraram discussões entre os agentes sobre a quantia recebida e aquela que teria sido acertada.

Segundo o MPRJ, um dos policiais atuava como intermediário junto à clínica, negociando valores e coordenando o atendimento pelas equipes. Outro acompanhava as negociações e os pagamentos. O terceiro teria direcionado o patrulhamento ao estabelecimento, enviado fotografias da atuação no local em um grupo de WhatsApp e recebido pessoalmente R$ 50.

Os fatos investigados teriam ocorrido entre setembro e outubro de 2021, período em que os três integravam o 39º BPM, responsável pelo policiamento de Belford Roxo. Um dos denunciados foi posteriormente expulso da Polícia Militar após o oferecimento da denúncia. A acusação apresentada pelo Ministério Público foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

A Operação Patrinus foi deflagrada em maio de 2024 a partir de uma investigação sobre policiais militares que atuavam no 39º BPM. A análise de celulares apreendidos durante as apurações levou à identificação de outros suspeitos e de possíveis crimes, que passaram a ser investigados em novas fases.

Em agosto de 2025, dez policiais militares foram presos sob acusação de extorquir comerciantes. Em maio de 2026, outros 11 policiais foram denunciados pelo MPRJ por supostamente receber propina para prestar segurança a estabelecimentos durante o horário de serviço.

No mês seguinte, quatro policiais militares foram denunciados por peculato e comércio ilegal de arma de fogo. De acordo com a acusação, eles teriam vendido uma pistola apreendida durante uma ocorrência e dividido o dinheiro obtido com a negociação.
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A defesa dos presos foi procurada pela reportagem, mas não localizada até o momento. O espaço permanece aberto à disposição para futuras manifestações.
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