Publicado 30/04/2025 15:37 | Atualizado 30/04/2025 15:44
A Justiça Federal abriu ação contra dez supostos integrantes de uma organização criminosa que obteve R$ 145,2 milhões de forma ilícita a partir de fraudes em leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entre 2015 e 2018. A decisão acolhe denúncia do procurador da República Ricardo Perin Nardi.
PublicidadeO esquema foi descoberto na Operação Skotos, desdobramento da Operação Black Flag, deflagrada em 2021 para apurar crimes atribuídos ao grupo, baseado em Campinas, interior paulista.
A denúncia do Ministério Público Federal foi recebida pela Justiça Federal (Ação Penal nº 5012979-67.2021.4.03.6105) e os acusados vão responder por delitos como fraude à licitação, lavagem de dinheiro, uso de documentos falsos e corrupção ativa e passiva.
O procurador Ricardo Perin Nardi requer ainda a condenação dos envolvidos ao pagamento de indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos. Além da condenação criminal dos denunciados, Nardi pede que a Justiça Federal determine a perda de bens de todos os acusados, em valor equivalente aos ganhos que obtiveram com as fraudes (R$ 145,2 milhões).
Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público Federal nesta quarta, 30, as fraudes 'se basearam em uma rede empresarial protagonizada por uma construtora fictícia'.
O grupo habilitava empresa de fachada em leilões da Aneel com uso de documentos contábeis falsos atestando a suposta capacidade financeira para a construção de usinas de energia solar.
Ao vencer as licitações, a organização criminosa obtinha os ganhos ilícitos com a venda das outorgas de energia a empresas de boa-fé interessadas em ficar com sua titularidade.
As investigações identificaram três leilões que tiveram participação do grupo. O primeiro, em 2015, destinava-se à contratação de energia elétrica de reserva proveniente de novos empreendimentos, no qual os envolvidos apresentaram a proposta vencedora para a construção de três usinas no Tocantins.
Os outros dois, em 2017 e 2018, tinham como objeto a aquisição de energia pelo governo federal para ampliação da oferta e atendimento de demanda futura. Nessas licitações, os denunciados tiveram sucesso com a inscrição de projetos que previam a instalação de quatro unidades de produção energética na Bahia e outras nove no Ceará, destaca a Procuradoria.
As outorgas obtidas foram vendidas a terceiros por R$ 80 milhões, R$ 6,5 milhões e R$ 58,7 milhões, respectivamente. O Ministério Público Federal detalha os movimentos da organização. "Ao receberem as quantias, os criminosos procederam a uma série de transações para a divisão dos ganhos, maquiadas por meio de contratos falsos de prestação de serviços. O dinheiro beneficiou não só os articuladores das fraudes, mas também os integrantes do esquema que produziram documentos falsos, intermediaram os negócios, prestaram assessoria ou viabilizaram a lavagem dos recursos ilícitos."
No decorrer da apuração, o MPF firmou acordo de não persecução penal com sete envolvidos. Por meio do acordo, pessoas investigadas por um crime reconhecem a culpa e se comprometem a cumprir determinadas exigências, sem necessidade de proposição de ação penal na Justiça.
Os ajustes impuseram a prestação de serviços a entidades públicas e o perdimento de bens e valores, no total aproximado de R$ 2 milhões.
O grupo já havia sido alvo de outras fases da Operação Black Flag. Segundo a Procuradoria, a atuação de parte dos denunciados remonta a pelo menos 2007, quando teve início um esquema fraudulento para a obtenção de financiamentos e empréstimos.
Até 2012, também com uso de empresas de fachada, o grupo conseguiu a liberação de recursos que provocaram prejuízos de cerca de R$ 100 milhões a instituições financeiras públicas e privadas. Foi identificada, ainda, sonegação de R$ 42,8 milhões em tributos entre 2011 e 2012.
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