Ministro do STF, Alexandre de MoraesRosinei Coutinho/STF
Publicado 19/06/2025 09:41
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi alvo de agentes da "Abin paralela", que tentaram estabelecer uma relação entre ele e o delegado Osvaldo Nico, atual número 2 da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
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O pedido para a elaboração de um dossiê ligando os dois ocorreu no mesmo dia em que Nico prendeu o ex-assessor Fabrício Queiroz, pivô do caso da "rachadinha" no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso revelado pelo Estadão em dezembro de 2018.

Segundo a PF, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não foi indiciado por já responder pelo crime em outra ação, foi o principal beneficiado pelo esquema. Queiroz foi preso em Atibaia (SP) em 18 de junho de 2020 na casa de Frederick Wassef, que à época atuava como advogado de Bolsonaro. Naquele dia, o então presidente da República defendeu Queiroz durante uma transmissão nas redes sociais e disse que a prisão foi "espetaculosa".

O dossiê foi solicitado por Marcelo Bormevet, ex-coordenador do Centro de Inteligência da Abin, ao militar do Exército Giancarlo Rodrigues, que estava cedido à agência. O documento produzido contém uma notícia publicada pela revista Veja em 2016 sobre uma operação policial contra torcidas organizadas. Moraes, à época secretário de Segurança Pública de São Paulo, aparece em uma foto ao lado de Nico, que participou da operação como delegado da Polícia Civil.

Moraes errado

Segundo a PF, a "Abin paralela" acabou monitorando um homônimo do ministro do STF. Há indicativo de que o monitoramento teria se dado por erro dos arapongas. De acordo com o relatório final do inquérito, o sistema First Mile foi utilizado três vezes contra um cidadão chamado Alexandre de Moraes Soares, morador de São Paulo, sem que qualquer justificativa tenha sido dada.
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