Bolsonaro foi alvo de ação da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (18)Reprodução
Publicado 18/07/2025 10:23 | Atualizado 18/07/2025 10:43
Parlamentares da base bolsonarista reagiram com indignação às medidas impostas pela Polícia Federal (PF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinadas nesta sexta-feira (18) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As críticas giram em torno da acusação de que há uma "perseguição implacável" ao ex-chefe do Executivo, que agora está submetido a diversas medidas restritivas.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, foi um dos primeiros a se pronunciar e detalhou os efeitos da decisão. Ele, que está nos Estados Unidos, escreveu a publicação em inglês.
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"Alexandre de Moraes redobrou a aposta e depois do vídeo de Bolsonaro para Donald Trump. Moraes ordenou hoje para Jair Bolsonaro: 1 - Use tornozeleira eletrônica; 2 - Ele não pode sair de casa entre 19h e 7h; 3 - Ele não pode usar as redes sociais; 4 - É-lhe vedado comunicar-se com embaixadores e diplomatas estrangeiros; 5 - Ele não pode se aproximar de embaixadas; 6 - Ele não pode falar com outras pessoas sob investigação (eu e meu irmão Carlos estamos sob investigação)".

O senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) também lamentou as medidas impostas. Ele se referiu a Bolsonaro como "presidente" e citou que milhões de brasileiros irão dormir com a sensação de que o político "merece mais".
"Eu lamento a decisão profundamente. Na prática, é como se o presidente Bolsonaro, que é um homem de bem, já estivesse cumprindo a pena antes do julgamento. Ele jamais sairia do país e não representa, como nunca representou, nenhum risco para a sociedade. Dezenas de milhões de brasileiros irão dormir com a sensação de que o presidente Bolsonaro merece mais, e não menos, apoio; mais, e não menos, admiração; mais, e não menos, lealdade por tudo que representa e pelo sofrimento que está passando".

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) classificou a decisão como parte de uma escalada de perseguição: "Um dia após a publicação da carta de Trump, eis que dobram a aposta. O STF determina mais uma busca e apreensão em Bolsonaro e medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de conversar com embaixadores e diplomatas. Perseguição implacável!".

Na mesma linha, a deputada Carol de Toni (PL-SC) afirmou: "Inacreditável. Após Trump ser claro quanto as causas das sanções aplicadas ao Brasil, a perseguição fica ainda mais implacável contra Bolsonaro e sua família. Isso só confirma o estado de exceção que estamos vivemos".

Rodolfo Nogueira (PL-MS), também deputado, reforçou a narrativa de censura: "PF acaba de levar Bolsonaro para colocar tornozeleira eletrônica. Perseguição implacável! Descarada! O presidente não vai poder mais dar entrevistas. Esperaram o congresso entrar em recesso. Querem calar a liberdade, mas não vão conseguir! Canalhas!".

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) defendeu uma reação imediata do Legislativo: "Urgente! STF autoriza PF a fazer busca e apreensão na casa de Bolsonaro e ainda mandar ele usar tornozeleira eletrônica. Temos que entrar com pedido de impeachment de Moraes. O senado precisa agir".

Já o deputado Bibo Nunes (PL-RS) elevou o tom das críticas ao STF: "O caos político e jurídico está instalado no Brasil após Alexandre de Moraes obrigar Bolsonaro a usar tornozeleira e tirá-lo das redes sociais, além de busca e apreensão, hoje, pela manhã. Todos os limites foram ultrapassados. Raiva, ódio e injustiça nos ares do Brasil. Quando a política invade os tribunais, a justiça foge pela janela!".

O que diz a PF sobre as medidas contra Bolsonaro
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Bolsonaro e em endereços ligados ao PL, em Brasília.
O ex-presidente deverá cumprir recolhimento domiciliar entre 19h e 7h, inclusive nos fins de semana, além de estar proibido de acessar redes sociais e de se comunicar com embaixadores, diplomatas e outros investigados pelo STF. A decisão ainda determina o uso de tornozeleira eletrônica.
A PF afirmou que Bolsonaro tem atuado para dificultar o andamento do inquérito sobre tentativa de golpe e que isso pode configurar obstrução de Justiça, coação no curso do processo e ameaça à soberania nacional. O ex-presidente permanece com o passaporte retido desde fevereiro.
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