Publicado 14/08/2025 12:37
Rio - O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, preso por atirar e matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, em Belo Horizonte (MG), já possuía registros policiais anteriores no Rio de Janeiro e em São Paulo por violência doméstica e atropelamento com vítima fatal.
PublicidadeDurante a audiência de custódia que definiu a prisão preventiva de Renê nesta quarta-feira (13), o juiz apontou que ele responde por lesão corporal grave contra uma ex-companheira, que teve um dos braços quebrados pelo empresário.
"Chama atenção o documento juntado pelo Ministério Público, em que o acusado responde a outra ação penal já com denúncia recebida [pela Justiça] de lesão corporal grave no ambiente de violência doméstica, onde inclusive o braço da moça foi fraturado", afirmou o juiz Leonardo Damasceno, da Central de Audiência de Custódia.
Em 2003, uma companheira registrou queixa contra Renê por agressão. O caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). Anos depois, ele foi acusado de agredir a noiva durante uma tentativa de reconciliação, episódio no qual a vítima relatou ter sido "mordida nas costas".
Já em 2011, o empresário se envolveu em um atropelamento de uma mulher de 50 anos que atravessava a rua, no Posto 11 do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da capital fluminense. De acordo com o registro policial, o veículo estava em alta velocidade. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu.
Já em 2011, o empresário se envolveu em um atropelamento de uma mulher de 50 anos que atravessava a rua, no Posto 11 do Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da capital fluminense. De acordo com o registro policial, o veículo estava em alta velocidade. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu.
Segundo o boletim do caso, ele tinha habilitação apenas para carro, e não para moto, veículo que conduzia no dia do fato.
Renê Júnior disse à polícia que passava por uma avenida quando a vítima tentou atravessar e se assustou com a buzina. Ela então voltou para a calçada, momento em que foi atropelada. Na época, o empresário afirmou ter tentado contato com a família, mas não conseguiu.
Alegou que a inclusão da "categoria A", que permite pilotar motos, estava em andamento e que, mesmo habilitado, não teria como evitar o acidente.
Renê Júnior disse à polícia que passava por uma avenida quando a vítima tentou atravessar e se assustou com a buzina. Ela então voltou para a calçada, momento em que foi atropelada. Na época, o empresário afirmou ter tentado contato com a família, mas não conseguiu.
Alegou que a inclusão da "categoria A", que permite pilotar motos, estava em andamento e que, mesmo habilitado, não teria como evitar o acidente.
Em nota, a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) informou que enviou o caso ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A reportagem questionou ao MPRJ como anda esse processo e aguarda o retorno.
Em 2021, Renê foi denunciado novamente por violência doméstica, após a ex-companheira denunciar lesões corporais durante o processo de divórcio.
Na época, a mulher disse que viveu um "relacionamento abusivo com Renê". Ela também apontou que o empresário a agrediu "segurando-lhe pelos braços e empurrando na parede".
A mulher também informou à polícia que o agressor se enfureceu e "iniciou uma destruição da casa, revirando os bens no interior do imóvel" depois de perder os documentos e a vítima não encontrar sua carteira. Ela ainda relatou ameaça de morte contra ela e seus familiares, além de socos e pontapés contra animais do casal como forma de abalá-la psicologicamente.
A mulher também informou à polícia que o agressor se enfureceu e "iniciou uma destruição da casa, revirando os bens no interior do imóvel" depois de perder os documentos e a vítima não encontrar sua carteira. Ela ainda relatou ameaça de morte contra ela e seus familiares, além de socos e pontapés contra animais do casal como forma de abalá-la psicologicamente.
Em outro boletim de ocorrência, no mesmo ano, a ex-mulher de Renê disse ter sido agredida com um empurrão e vassouradas por ele não aceitar o fim do casamento. De acordo com a Polícia Civil, o registro foi feito na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) Belford Roxo. "A investigação foi enviada à Justiça".
O empresário é alvo de outro inquérito de violência doméstica, este cometido em São Paulo. De acordo com a denúncia, Renê e a ex-companheira moravam na Grande SP e a vítima era submetida a agressões. Em um episódio, ela teria quebrado um dos pés, além de sofrer violência psicológica.
A Polícia Civil ofereceu denúncia à Justiça por violência doméstica contra Renê. A assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou por nota que o caso está "sob segredo de Justiça" e não forneceu detalhes da ação.
Morte de gari
A Polícia Civil ofereceu denúncia à Justiça por violência doméstica contra Renê. A assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou por nota que o caso está "sob segredo de Justiça" e não forneceu detalhes da ação.
Morte de gari
O assassinato de Laudemir de Souza Fernandes ocorreu na último segunda-feira (11), durante o expediente de coleta de resíduos. Após uma discussão de trânsito, o empresário desceu armado e atirou contra o gari, atingindo-o nas costelas. A vítima foi socorrida, mas não resistiu.
Renê foi localizado horas depois em uma academia e autuado por ameaça e homicídio qualificado, por motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Em um primeiro momento, ele negou que tenha cometido o crime. Logo depois, afirmou que a arma usada era de sua mulher, delegada da Polícia Civil de Minas Gerais, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira.
Renê foi localizado horas depois em uma academia e autuado por ameaça e homicídio qualificado, por motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Em um primeiro momento, ele negou que tenha cometido o crime. Logo depois, afirmou que a arma usada era de sua mulher, delegada da Polícia Civil de Minas Gerais, Ana Paula Lamego Balbino Nogueira.
O pedido da defesa para o relaxamento da prisão foi negado pela Justiça, que converteu a prisão em flagrante para preventiva.
Durante audiência de custódia, o juiz também afirmou considerar a personalidade do empresário como "violenta, desequilibrada".
Os advogados destacaram que o acusado é réu primário, possui bons antecedentes e residência fixa. Além disso, a defesa de Renê pediu que o caso fosse colocado sob sigilo, mas a Justiça não atendeu a solicitação.
O juiz Leonardo Damasceno não acolheu os argumentos. Ele alegou haver elementos suficientes para manter a prisão, como "perseguição ininterrupta" da polícia, identificação do veículo e reconhecimento de testemunhas. O magistrado também afirmou que se trata de um crime hediondo, e que é necessário punição.
"Chega um cidadão [...] querendo passar de forma desequilibrada e violenta, sai do veículo, ameaça trabalhadores que prestam serviço público, coloca arma em direção a uma mulher motorista de caminhão falando que daria um tiro na cara da trabalhadora. Não satisfeito, volta com arma em punho [...] e atira. Toda uma dinâmica que mostra a periculosidade do agente. É um homicídio qualificado, um crime hediondo", apontou o juiz.
"Chega um cidadão [...] querendo passar de forma desequilibrada e violenta, sai do veículo, ameaça trabalhadores que prestam serviço público, coloca arma em direção a uma mulher motorista de caminhão falando que daria um tiro na cara da trabalhadora. Não satisfeito, volta com arma em punho [...] e atira. Toda uma dinâmica que mostra a periculosidade do agente. É um homicídio qualificado, um crime hediondo", apontou o juiz.
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