Publicado 14/08/2025 13:32
A Justiça de São Paulo determinou a quebra do sigilo de 233 perfis da internet que usaram as redes sociais para acusar o youtuber o Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, de pedofilia e assédio. Os xingamentos foram realizados quando Felca fazia suas pesquisas para o vídeo "Adultização", publicado em seu canal no YouTube no dia 6.
PublicidadeO material, que já acumula mais de 37 milhões de visualização, expõe casos de influencers que, em troca de monetização das plataformas, praticam a exploração infantil por meio de vídeos que mostram crianças e adolescentes de forma sexualizada, seminuas e ingerindo bebidas alcóolicas em festas. Usuários alegaram que o youtuber seguia as páginas e o acusaram de consumir e endossar o esse tipo de conteúdo.
A decisão pela autorização da quebra de sigilo foi assinada na terça-feira, 12, pela juíza Flavia Poyares Miranda. A magistrada entendeu que Felca foi vítima de injúria e que os xingamentos, alguns feitos de forma anônima, ferem o Marco Civil da Internet.
Para isso, a juíza pede ao X (que concentra a maior parte dos perfis processados) e ao YouTube que forneçam os dados cadastrais, os IPs de criação das contas, e os logs de acesso para a identificação dos autores das postagens ofensivas. A magistrada determina, também, que os perfis das contas sejam removidos. Caso as ordens não sejam cumpridas, a empresa poderá sofrer uma sanção de R$ 200 por dia, com teto de 30 dias.
Felca afirma ter entrado com um processo contra mais de 200 perfis que usaram as redes digitais para o acusaram de pedofilia e de consumir conteúdo de exploração sexual infantil. Em respostas às acusações, ele explicou diz que só seguia as páginas como forma de obter material para o seu vídeo de denúncia.
Uma das usuárias, segundo ele, publicou que o youtuber não apenas seguia os perfis, como também endossava os materiais, dando like nas postagens — o que ele nega. "Isso configura difamação. Eu afirmei que era para um vídeo e ela apagou a sua conta no Twitter (nome antigo para a atual rede X)", disse.
Seu advogado, João de Senzi, publicou no X a lista com o nome de todas as contas processadas. O youtuber sugeriu um acordo: em troca da remoção do processo, as pessoas alvos da ação devem doar R$ 250 para alguma instituição de proteção de infância e combate a exploração infantil recomendada por ele, junto com um pedido de desculpas pelos comentários ditos na internet.
"A única pessoa que ganha quando a palavra 'pedofilia' é vulgarizada é o próprio pedófilo", disse o youtuber ao justificar a motivação por judicializar o caso. De acordo com o advogado de Felca, mais de 80 pessoas fizeram as doações e se retrataram.
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